Zoltan Gergely Kelemen/MTI via AP
Zoltan Gergely Kelemen/MTI via AP

Países do leste ameaçam vetar acordos do Brexit

Polônia, República Checa, Eslováquia e Hungria dizem que rejeitarão a restrição à circulação de trabalhadores

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2016 | 19h17

O governo da primeira-ministra da Grã-Bretanha, Theresa May, enfrenta um novo desafio nas negociações para o Brexit – a saída do país da União Europeia. No fim de semana, o grupo de Visegrad (V4), que reúne Eslováquia, Polônia, Hungria e República Checa, anunciou a disposição de vetar todo e qualquer acordo entre Londres e Bruxelas que inclua a restrição da circulação de trabalhadores europeus em território britânico. 

O tema é o mais sensível da pauta de negociações que começarão em 2017: grande parte dos britânicos optou pelo Brexit justamente por ser contra a imigração. 

A ameaça foi tornada pública pelo primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, no sábado, um dia depois da cúpula de 27 chefes de Estado e de governo que se reuniram em Bratislava, capital do país. “Os países do V4 não aceitarão um compromisso”, advertiu o premiê. “A menos que sintamos a garantia de que as pessoas que vivem e trabalham no Reino Unido são iguais, vetaremos qualquer acordo entre a União Europeia e o Reino Unido.”

Todas as decisões no interior da União Europeia são tomadas de forma unânime, o que abre a perspectiva real de um veto dos países do Leste Europeu. Essa perspectiva torna ainda mais difícil a intenção de Londres de retirar-se da união, mantendo o acordo de livre comércio com o bloco europeu, mas sem a livre circulação de trabalhadores.

Hoje, porém, Theresa May reiterou que as negociações entre Londres e Bruxelas vão ocorrer mesmo assim. “Os 27 países vão assinar um acordo conosco”, garantiu. “Eu acredito em uma boa relação comercial e venho dizendo que quero que o Reino Unido seja um líder global em acordos de livre-comércio”, afirmou a premiê britânica. Em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, May disse que seu país não virará as costas ao mundo, tentando reduzir o temor sobre a união do Ocidente. 

Na semana passada, o próprio secretário de Estado para o Brexit, David Davis, reconheceu que Londres pode não chegar a um acordo com a União Europeia. 

 

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