Países do sul da Europa pedem apoio para lidar com fluxo de imigrantes

Itália, Espanha, França, Chipre, Malta e Grécia querem sistema único de asilo para todo o bloco.

BBC Brasil, BBC

24 de fevereiro de 2011 | 10h15

Fluxo de imigrantes para Lampedusa aumentou desde o início da crise

Seis países do sul da Europa vão apresentar nesta quinta-feira uma proposta conjunta para que o resto da União Europeia também receba imigrantes do norte da África, após os recentes episódios de violência e instabilidade na região.

Itália, Espanha, França, Chipre, Malta e Grécia vão apresentar a proposta em Bruxelas, em uma reunião de ministros do Interior do bloco. Os seis países querem um sistema único de asilo para toda a União Europeia até 2012.

Os ministros dos seis países se reuniram na quarta-feira em Roma e exigiram um programa de transferência para que refugiados e candidatos a asilo sejam encaminhados a outros países da Europa, caso cheguem em grandes números ao sul do continente.

Os países também querem o estabelecimento de um fundo de solidariedade para ajudar a receber os imigrantes.

A expectativa é de um novo fluxo de imigrantes da região em direção à Europa depois da onda de repressão a manifestações em vários países árabes. A Itália alertou que o caos na Líbia poderá desencadear um êxodo de proporções "bíblicas" de até 300 mil imigrantes.

De acordo com o correspondente da BBC em Bruxelas, Chris Morris, pelo menos 1 milhão de imigrantes, muitos deles da região da África subsaariana, estariam na Líbia, tentando chegar à Europa.

Muitos deles podem ser refugiados políticos, não apenas imigrantes econômicos. Com isso, a Europa tem obrigação, de acordo com acordos de proteção dos direitos humanos, de identificar os refugiados que têm direito a asilo.

Segundo Morris, as propostas polêmicas dos seis países do sul da Europa não deverão ser bem recebidas na Grã-Bretanha e em muitos outros países do bloco.

Lampedusa

Na semana passada, mais de 5 mil imigrantes ilegais chegaram à ilha italiana de Lampedusa, vindos da Tunísia, depois da queda do presidente do país.

A ilha é pequena, fica no mar Mediterrâneo, entre a Tunísia e a Itália, e é o maior ponto de entrada para a Europa dos imigrantes que deixam a África.

A agência de proteção de fronteiras da União Europeia, a Frontex, está fornecendo apoio logístico à Itália.

Em meio ao agravamento da tensão na Líbia, o governo do líder Muamar Khadafi alertou a União Europeia de que vai suspender a cooperação para deter a imigração ilegal do norte da África, se o bloco europeu apoiar a oposição líbia.

A Líbia é considerada uma porta importante de entrada de imigrantes ilegais para a União Europeia, e o governo de Muamar Khadafi afirma que a cada ano impede que cerca de 750 mil deles atravessem o Mediterrâneo.

Nos últimos anos, a Itália e a Líbia vem cooperando para interceptar barcos de imigrantes no mar Mediterrâneo. O número destes barcos caiu muito depois das interceptações.

Malta e Espanha também interceptaram nos últimos meses muitos barcos com imigrantes da África. Geralmente, essas embarcações não tem condições para levar tantos passageiros, e os imigrantes arriscam suas vidas para chegar à Europa.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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