Gonzalo Fuentes/Reuters
Gonzalo Fuentes/Reuters

Países emergentes merecem mais voz, dizem Lula e Sarkozy

Em artigo conjunto, presidentes defendem a conclusão da Rodada Doha e a reforma da ONU, FMI e Bird

Marcílio Souza, da Agência Estado,

07 de julho de 2009 | 10h19

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Nicolas Sarkozy, destacaram a importância do multilateralismo e pediram uma reforma da governança global e do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), em artigo publicado nesta terça-feira, 7, na edição internacional do The New York Times. Para eles, a conclusão da Rodada Doha de negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) também é uma "tarefa urgente".

 

"Com a crise, a ameaça de protecionismo cresceu. A conclusão da Rodada Doha da OMC é uma tarefa urgente, com o objetivo de se chegar a um acordo ambicioso, abrangente e equilibrado que irá beneficiar especialmente os países em desenvolvimento, particularmente os mais pobres, e reforçar o multilateralismo no comércio", afirma o artigo, intitulado "Aliança para a mudança".

 

Os presidentes também afirmam que "a estrutura de paz e segurança coletivas requer adaptações significativas. Uma reforma ampla do Conselho de Segurança da ONU tem de ser implementada, com o objetivo de salvaguardar uma ordem internacional mais equilibrada e inclusiva. Para garantir a eficácia do Conselho, ele precisa refletir as realidades atuais, incluindo um papel maior para importantes países em desenvolvimento de todas as regiões, como Brasil e Índia, uma representação mais justa da África e de grandes contribuintes para o sistema da ONU, como Japão e Alemanha", afirma o artigo.

 

Lula e Sarkozy pedem a ampliação do papel da Organização Internacional do Trabalho (OIT) na governança econômica global e afirmam que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird) precisam dar maior peso às economias emergentes em seus processos de decisão.

 

O artigo toca ainda na questão ambiental, ao dizer que "um acordo de longo alcance é necessário em Copenhague em dezembro próximo para que se atinja nosso objetivo comum de evitar uma mudança climática séria e limitar a dois graus Celsius o aumento da temperatura global".

 

"Brasil e França querem oferecer ao mundo sua visão compartilhada de um novo multilateralismo adaptado para nosso mundo multipolar", afirmam Sarkozy e Lula no artigo. "Juntamente com outros líderes, nós precisamos forjar uma 'Aliança para a mudança' com o objetivo de promover essa visão de uma ordem mundial mais democrática, fundada em maior solidariedade e justiça. É isso que os cidadãos do mundo esperam de nós. Esse é o único caminho para superar os desafios apresentados por nosso século", conclui o artigo.

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