Aris Messinis / AFP
Aris Messinis / AFP

Países europeus aceitaram menos de 10% dos 160 mil refugiados que haviam concordado em realocar

Chefe de migração da União Europeia alertou que a violação do acordo por parte de Estados membros pode ter rápidas consequências, incluindo enormes multas diárias

O Estado de S.Paulo

03 de março de 2017 | 11h46

BRUXELAS - Países europeus aceitaram menos de 10% dos 160 mil refugiados que haviam prometido transferir de centros insalubres na Itália e na Grécia, o que levou a Comissão Europeia a alertar que “não irá aceitar mais desculpas”.

Segundo informações do jornal britânico The Guardian, apenas 13.546 realocações foram feitas até hoje - 3.936 da Itália e 9.610 da Grécia -, o que corresponde a 8% do total previsto no acordo feito em 2015 com o qual a União Europeia (UE) se comprometeu.

Apenas dois países, Malta e Finlândia, cumpriram o programa previsto no pacto, que se encerrará em setembro.

Durante uma coletiva de imprensa em Bruxelas, o chefe de migração do bloco, Dimitris Avramopoulos, alertou que a violação do acordo por parte de Estados membros pode ter rápidas consequências, incluindo enormes multas diárias.

Ele acrescentou que a obrigação dos países de receber refugiados continuará, mesmo após setembro, descrevendo a medida como um “projeto de lei pendente”.

“Quero deixar claro. Não há desculpas para os Estados membros não cumprirem o acordo. É possível realocar todas essas pessoas da Itália e da Grécia até setembro. Isso depende inteiramente da vontade política e da perseverança dos países para fazer isso acontecer”, disse Avramopoulos.

Ainda segundo o Guardian, apesar de fevereiro ter registrado um recorde de transferências (1.940), o ritmo ainda está abaixo da estimativa inicial de realocar cerca de 3 mil refugiados por mês da Grécia e ao menos 1,5 mil da Itália.

Hungria, Áustria e Polônia se recusam a participar do acordo de realocação. República Checa, Bulgária, Croácia e Eslováquia estão comprometidas em uma “base muito limitada”. O Reino Unido, que pode rejeitar algumas partes da política europeia de asilo, escolheu não participar.

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