Países europeus convenceram Iraque a aceitar inspetores

A decisão do Iraque de convidar os inspetores da ONU a visitarem o país foi orquestrada nos bastidores pelos países europeus, liderados pela França e até mesmo com a ajuda da Rússia. Fontes diplomáticas na ONU confirmaram à Agência Estado que os europeus, com exceção da Grã-Bretanha, querem evitar um conflito no Iraque e, portanto, teriam convencido Bagdá a aceitar a visita das Nações Unidas. Nem a Europa nem Moscou vêem com bons olhos a idéia de uma guerra no Iraque conduzida pelos Estados Unidos. O temor desses governos é perder espaço para os norte-americanos no Oriente Médio, já que um conflito contra Bagdá certamente teria como objetivo a substituição do regime de Saddam Hussein por um governo pró-americano. Não é a primeira vez que os franceses tentam solucionar o caso iraquiano por meio de uma gestão diplomática. Paris sempre buscou convencer o Conselho de Segurança da ONU a flexibilizar as sanções impostas ao Iraque. Ao mesmo tempo, pressionava Bagdá para que fosse transparente sobre suas atividades. A França, juntamente com a Rússia, chegou a propôr, em 1999, o nome do embaixador brasileiro, Celso Amorim, para comandar as inspeções no Iraque. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, consultou o diplomata para saber se ele aceitaria o posto. Mas diante da falta de consenso entre os demais membros do Conselho de Segurança da ONU - Estados Unidos, China e Grã-Bretanha -, Amorim deixou de concorrer ao cargo. A liderança da missão ficou para o sueco Hans Blix, que já ocupava o cargo de chefe da organização da ONU que desde 1991 era responsável por fiscalizar os programas de armas do Iraque. Saddam Hussein agora faz o convite exatamente a Blix, tendo em mente que o inspetor já anunciou, por várias vezes, que não havia qualquer evidência de que existiria um plano no Iraque para a construção de armas nucleares. O problema é que, caso a visita ocorra, os relatórios do sueco possivelmente negando a violação das resoluções da ONU pelo Iraque poderiam impedir que os norte-americanos conseguissem justificar um ataque ao Iraque. O temor da Casa Branca de que Blix seja um obstáculo à guerra é real. Em abril, o vice-secretário de Defesa dos Estados Unidos, Paul Wolfowitz, pediu que a CIA (Agência de Inteligência dos Estados Unidos) investigasse a atuação do sueco, considerado na ONU como um diplomata acima de qualquer suspeita.

Agencia Estado,

02 Agosto 2002 | 17h07

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