Países europeus discutirão política própria de defesa

O chefe da diplomacia da União Européia, Javier Solana, convocou hoje a todos os países membros da UE para que compareçam à Cúpula, até agora quatripartite (França, Alemanha, Bélgica e Luxemburgo), sobre o futuro da política européia de segurança e defesa (PESD), marcada para o dia 29 de abril, em Bruxelas.Solana reforçou que a iniciativa belgo-franco-alemã não pretende "criar um bloco separado de defesa européia". Ele falou depois do encontro com o ministro búlgaro de relações exteriores, Soloman Passy.O clima tenso da divisão institucional do bloco faz surgir declarações rápidas dos caciques europeus para não aprofundar ainda mais a cisão entre os 15. A questão da defesa, outra vítima anunciada da crise iraquiana, também entra na ordem do dia.Bruxelas, menos protecionista que Washington em matéria de indústria de defesa, começa a se dar conta de que, lentamente, está sendo invadida por seus concorrentes norte-americanos.A iniciativa de uma cooperação reforçada em matéria de defesa partiu do primeiro ministro belga, Guy Verhofstadt, apoiada por Jacques Chirac e Gerhard Schroeder, e já causa polêmica. Na opinião de algumas fontes comunitárias, a iniciativa pode reforçar as fraturas européias sobre a ação militar no Iraque.Romano Prodi, presidente da Comissão Européia, endossa a idéia belga de reforçar a cooperação de defesa européia e, como Solana, não entende a proposta como uma ameaça à unidade do bloco comunitário.A declaração foi feita durante a semana por meio de seu porta-voz, Rijo Kemppinen, e Prodi falará sobre o Iraque no Parlamento.O governo belga pretende que alguns dos 15 países, ou melhor, 25 a partir de 2004, possam formar uma "coalizão de disposição" para qualquer missão militar ou humanitária, independente das realizadas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).A minicúpula reunirá os três países (Bélgica, França e Alemanha) e até o momento somente o primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, atendeu à convocação. Mas, a assessoria de Vehofstadt reconhece que uma nova política de defesa não terá "credibilidade sem a participação do Reino Unido", porque este seria, junto com a França, a "verdadeira" força militar da União Européia.O chanceler alemão, partidário da idéia de dar um passo à frente em matéria de melhor integração das forças existentes, declarou à imprensa que até o momento não conhece os detalhes da iniciativa belga, mas gostaria de ver o maior número possível de países no grupo, "inclusive a Grã-Bretanha".Entretanto, Tony Blair, durante o encontro de líderes europeus na semana passada, em Bruxelas, declarou que a política de defesa e segurança deve ser de competência dos Estados, acresecentando que a "questão central reside no futuro das relações transatlânticas".Os Estados Unidos contam com cinco países no oeste da Europa (Reino Unido, Países Baixos, Dinamarca, Noruega e Itália) dentro do programa norte-americano de avião de combate Joint Strike Fighter (JSF), comprometendo-se, então, com a perspectiva de uma única máquina européia no futuro. Veja o especial :

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