Frank Augstein/AFP
Frank Augstein/AFP

Países europeus voltam a vacinar com imunizante de Oxford/AstraZeneca

Retomada ocorre após OMS dizer que ele não causa coágulos, mas muitos ainda temem ter problemas no futuro

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2021 | 20h08

ROMA - Aliviados e preocupados, os europeus voltaram nesta sexta-feira, 19, a se vacinar com o imunizante de Oxford/AstraZeneca contra o coronavírus, depois de vários dias de interrupção pelas preocupações com os casos detectados de trombose.

Cerca de 15 países suspenderam o uso da vacina de Oxford por causa dos efeitos colaterais, mas na quinta-feira a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) a considerou “segura e eficaz”, em um contexto no qual as campanhas de imunização caminham lentamente por causa da escassez das doses na Europa. 

Especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) concluíram que os benefícios da vacina de Oxford/AstraZeneca superam seus risco e garantiram que as análises mostraram que a vacinação contra o coronavírus não aumenta a probabilidade de coágulos sanguíneos.

Em Roma, dezenas de pessoas fizeram fila no início da tarde para receber a vacina. “Meu medo era não conseguir ser vacinado”, declarou Roberto, professor de 58 anos, após receber uma primeira dose.

Sua colega Valentina, de 42 anos, estava menos empolgada: “Estou um pouco nervosa, é evidente, mas o que se pode fazer?”, questionou, lamentando não poder escolher outra vacina.

Na Itália, 7,4 milhões de doses já foram administradas, mas somente 2,3 milhões de pessoas receberam as duas doses necessárias para serem protegidas. 

Os primeiros a retomar o processo de vacinação foram, entre outros, Itália, França e Alemanha, enquanto outros países voltarão a usar o produto na próxima semana, especialmente Espanha, Portugal e Holanda.

Os primeiros-ministros da França, Jean Castex, e do Reino Unido, Boris Johnson, deram o exemplo hoje ao receber a primeira dose da AstraZeneca em seus países. “A todos: quando receberem a notificação para vacinar-se, por favor, vão e se vacinem. É o melhor para vocês, para sua família e para todos”, disse Johnson após ser imunizado. 

“Francamente, não vou tomar, não tenho confiança”, afirmou Serena Chérif, parisiense que não está convencida com o exemplo de Castex. “Proibiram a vacina e voltaram a autorizar, então existe um problema (...). Não vou tomar.”

Outra parisiense, Hélène Merino disse que “será muito difícil retomar o ritmo, ou dar confiança para as pessoas. Uma boa parte delas resistirá. Espero que não, mas será assim."

Na Espanha, as reações foram variadas. “Quando vi as notícias, fiquei muito nervosa. Vou tomar a segunda dose porque o dano já está feito, mas é claro que estou preocupada com as consequências que a vacina pode ter sobre o meu corpo no longo prazo”, declarou Laura, de 28 anos, funcionária penitenciária que recebeu uma primeira dose no início de março.

Já Marta Estrada, uma psicóloga de 28 anos, recebeu uma primeira injeção em meados do mês e declarou que não está “preocupada com nada”. “As pessoas não precisam se preocupar com tudo isso. Um caso isolado não quer dizer que vai acontecer com você.”

Na Alemanha, as pessoas entrevistadas pela agência France Presse se mostraram esclarecidas. “No início, estava um pouco cético. Mas me disseram que não precisava me preocupar, que todas as análises foram feitas. Portanto, agora isso não me preocupa. Todos meus colegas já foram vacinados antes e não tiveram nenhum problema. Tudo correu bem”, afirmou Jamie Tissler, de 20 anos. / AFP

 

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