Países felicitam oferta americana de diálogo com Teerã

A decisão dos Estados Unidos de se unirem à negociação multilateral sobre o programa nuclear iraniano foi bem recebida pela comunidade internacional nesta quarta-feira. Mesmo com a condição americana - o encerramento do enriquecimento de urânio por Teerã -, países estão confiantes de que a participação dos EUA será benéfica para a resolução do impasse. O representante da Política Externa e de Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, considerou que a decisão dos EUA reforça o empenho de alcançar um acordo."A participação direta dos Estados Unidos será o sinal mais forte e positivo de nosso desejo comum de alcançar um acordo com o Irã", disse Solana em um comunicado no qual destacou a importância do anúncio feito por Washington.O anúncio dos EUA foi feito um dia antes da reunião, em Viena, entre Solana, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e representantes da Alemanha e dos países que, junto com os EUA, são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - Rússia, China,França e Reino Unido.Segundo fontes diplomáticas da UE, essa reunião servirá para definir o pacote de incentivos que será oferecido ao Irã para que o país pare as atividades de enriquecimento de urânio.Solana disse na terça-feira que a oferta "colocará à prova" a sinceridade de Teerã, que afirma que o único propósito de seu programa nuclear é a produção de energia elétrica.O Irã terá que decidir depois se aceita ou não o pacote e retoma as negociações, que desta vez não serão mais só com os europeus, mas também com os EUA. Por isso, as conversas ganharão uma nova "dimensão estratégica", segundo as fontes diplomáticas.Solana lembrou nesta quarta-feira que a UE sempre estimou "o crescente apoio dos EUA" na questão iraniana. A decisão da administração americana de unir-se às negociações "reforça nossa esperança de que as atuais discussões possam levar a uma nova relação de cooperação com o Irã, na base da confiança mútua", acrescentou. Apoio europeuO ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier também elogiou a decisão do governo americano. "Damos as boas vindas à prontidão americana nesta questão".Steinmeier descreveu a ação como um "reforço real aos esforços nos últimos meses e semanas". "Podemos apenas esperar que aqueles responsáveis em Teerã reconheçam o valor desta oferta e reajam de acordo", acrescentou. Alemanha, juntamente com França e Reino Unido, estiveram à frente dos esforços diplomáticos para convencer o Irã a encerrar seu programa de enriquecimento de urânio. A França afirmou que a presença dos Estados Unidos na mesa de negociações irá reforçar as credibilidade dos esforços em relação ao programa nuclear de Teerã. Em um comunicado, o ministro do Exterior francês, Philippe Douste-Blazy, disse que as potências européias planejam fazer "propostas substanciais nas negociações com o Irã". O ministro não forneceu mais detalhes sobre quais seriam estas propostas. "Eu saúdo a disponibilidade dos Estados Unidos, e de eventualmente outros parceiros, para se juntar às negociações lideradas pela Alemanha, Reino Unido e França com o Irã", afirmou Douste-Blazy.A ministra de Relações Exteriores britânica, Margaret Beckett, também felicitou a decisão de Washington, a qual classificou como um reforço à posição européia."Todos queremos alcançar a solução diplomática. O objetivo dos europeus é apresentar uma oferta de cooperação séria e substancial. "Para que tenhamos êxito, necessitamos o apoio de outras partes, entre elas os Estados Unidos". Parceria de Israel O Governo israelense expressou seu apoio à oferta de diálogo entre americanos e iranianos. Em um comunicado, a ministra das Relações exteriores israelense, Tzipi Livni, afirmou que "aprecia os passos dos Estados Unidos, que segue na liderança dos esforços internacionais para impedir a obtenção de armas atômicas por parte do Irã".A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que fez a oferta ao Governo de Teerã, informou antes sobre sua iniciativa à Livni.Em comunicado, a ministra de Exteriores israelense ressalta que "o entendimento entre os Estados Unidos e Israel é pleno sobre o perigo de o Irã conseguir armas nucleares".Fontes do Escritório do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, também ressaltaram a "coincidência sobre o modo de enfrentar a crise" entre os dois países e que o Governo israelense "apóia os passos de Washington".Considerando que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, já disse que o Estado judeu "deve ser riscado do mapa", Israel seria o principal ameaçado caso Teerã conseguisse produzir armas nucleares, e para isso é imprescindível que o Irã consiga urânio enriquecido.

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