Sergio Perez/Reuters
Sergio Perez/Reuters

Países intensificam estratégias para desenvolver vacina contra a covid-19

Segundo a OMS, 168 potenciais vacinas estão em andamento, mas nenhuma pronta para a comercialização, e há o risco de governos nacionalizarem os tratamentos

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2020 | 13h56

Em plena corrida mundial para desenvolver a vacina contra a covid-19, a Austrália iniciou nesta quarta-feira, 19, o debate sobre a eventual decisão dos países de torná-la obrigatória para frear o vírus, que continua em propagação por todo o planeta, enquanto as restrições aumentam para tentar neutralizar o coronavírus.

"Sempre há exceções à vacina, por razões médicas, mas deve ser a única", declarou o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, à rádio 3AW de Melbourne. O chefe de Governo conservador declarou que a vacinação "deveria ser obrigatória". 

Antecipando possíveis movimentos antivacina, Morrison destacou que há muitas coisas em jogo para permitir que a doença continue em propagação. "Estamos falando de uma pandemia que destruiu a economia mundial e provocou centenas de milhares de mortes em todo o mundo", disse.

Diante de um vírus que provocou mais de 781 mil mortes e infectou mais de 22 milhões de pessoas, segundo o balanço da AFP com base em dados oficiais dos países, a descoberta de uma vacina ou tratamento eficaz é a esperança do planeta.

Nacionalismo

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 168 potenciais vacinas estão sendo desenvolvidas, mas até agora nenhuma está pronta para a comercialização.

Nos Estados Unidos, país mais afetado pela covid-19 com 171.800 vítimas fatais, o laboratório Moderna tem um dos projetos mais avançados, com uma pesquisa em fase 3 de testes clínicos em seres humanos, a última etapa antes da comercialização.

Paralelamente, uma vacina será testada em breve no Paquistão e Arábia Saudita, em sua terceira fase de testes clínicos. Desenvolvida pelo laboratório chinês CanSinoBio e pelo Instituto Chinês de Biotecnologia de Pequim, já iniciou testes na China, Rússia, Chile e Argentina. 

O Brasil, segundo país do mundo mais afetado pela pandemia, com quase 3,5 milhões de contágios e mais de 110 mil mortes, aprovou na terça-feira 18 os testes clínicos finais da vacina experimental do laboratório Johnson & Johnson, o quarto projeto autorizado para testes no país, antes de uma aprovação definitiva.

Cuba começará na próxima semana os ensaios clínicos em humanos de seu projeto de vacina, "Soberana 01", cujos resultados estão previstos para fevereiro de 2021.

O laboratório farmacêutico suíço Roche anunciou nesta quarta um acordo com o grupo americano Regeneron para a fabricação e distribuição de um tratamento contra a covid-19 que está na fase final de testes clínicos. 

Diante da corrida acelerada para desenvolver o remédio, a OMS pediu aos países membros que se unam ao programa de acesso à vacina e lutem contra o "nacionalismo das vacinas". 

O papa Francisco afirmou que seria "triste" se as futuras vacinas fossem destinadas primeiro aos "mais ricos" e não "aos mais necessitados". Para o pontífice, a batalha atual deve ser travada em duas frentes: "Por um lado temos que encontrar um remédio para este vírus minúsculo, mas terrível, que colocou o mundo de joelhos. De outro, temos que sanar um vírus muito grande, o da injustiça social, da desigualdade, da marginalização e da falta de proteção aos mais frágeis".

Jovens afetados 

A OMS advertiu que a pandemia entrou em uma "nova fase", especialmente na região Ásia-Pacífico, e os contágios acontecem entre pessoas com menos de 50 anos, geralmente assintomáticas. "A epidemia está mudando. As pessoas com 20, 30 ou 40 anos são cada dia mais uma ameaça", afirmou Takeshi Kasai, diretor da instituição para a região do Pacífico oeste.

Em outros países, como a Itália, as informações apontam o aumento dos casos de jovens infectados durante as férias. "Tenho covid-19, peguei na Costa Esmeralda, na Sardenha", declarou Luca, romano de 20 anos, ao jornal La Stampa

As férias do sonho de Luca foram bruscamente interrompidas em 11 de agosto, quando recebeu um SMS de duas amigas: "Testamos positivo". "Eu me isolei, comuniquei a agência de saúde local. Não quero infectar meus amigos nem a minha família", explica.

Novas restrições 

Diante do aumento de contágios ao redor do mundo, as autoridades voltaram a adotar restrições, incluindo algumas que afetam locais frequentados por jovens.

A Coreia do Sul adotou novas proibições a locais considerados de risco: discotecas, karaokês e restaurantes com self-service permanecerão fechados.

No Líbano, as autoridades decretaram um novo confinamento de mais de duas semanas, que inclui o toque de recolher, a partir desta sexta-feira.

América Latina e Caribe registram mais de 246 mil mortes e 6,3 milhões de casos. A região foi responsável por quase metade das mortes por coronavírus no planeta durante a última semana.

A Argentina superou na terça-feira 18 a marca de 300 mil contágios, assim como 235 mortes nas últimas 24 horas, um dos números mais elevados desde o início da pandemia.

O escritório regional para as Américas da OMS, com base em pesquisas feitas nos EUA, Brasil e México, aponta que o vírus provocou uma "crise de saúde mental" inédita no continente americano, que também levou a um "aumento da violência doméstica". / AFP

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