Murtaja Lateef/EFE/EPA
Murtaja Lateef/EFE/EPA

Países muçulmanos pedem boicote a produtos franceses

Iniciativa começou após Macron dizer, durante homenagem a professor decapitado, que a França não abrirá mão de charges

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2020 | 20h38

DOHA, CATAR - Vários países árabes e muçulmanos pediram nesta segunda-feira, 26, boicote aos produtos franceses após o presidente da França, Emmanuel Macron, declarar que a França não abrirá mão das charges e da liberdade de expressão.

O presidente francês fez a afirmação na semana passada durante uma homenagem nacional a Samuel Paty, o professor decapitado em um ataque islâmico por mostrar ilustrações do profeta Maomé em sala de aula. Macron tuitou pouco depois: “Valorizamos a liberdade, garantimos a igualdade, vivemos a fraternidade com intensidade. Nada nos fará recuar, nunca”.

Desde sábado à noite, os produtos franceses começaram a ser retirados das prateleiras dos supermercados em Doha, no Catar. Nesta segunda-feira, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu à população que boicote os produtos franceses. “Assim como na França alguns dizem ‘não comprem as marcas turcas’, me dirijo à minha nação: Acima de tudo, não prestem atenção nas marcas francesas, não as comprem”, declarou Erdogan em um discurso em Ancara.

“Há uma campanha de linchamento contra os muçulmanos semelhante à dos judeus da Europa antes da 2.ª Guerra. As autoridades europeias devem dizer ‘pare’ à campanha de ódio liderada por Macron”, acrescentou o presidente turco.

A chanceler alemã, Angela Merkel, reagiu em solidariedade à França, classificando como “difamatórias” e “inaceitáveis” as declarações de Erdogan contra Macron.

O Conselho Francês de Culto Muçulmano (CFCM) afirmou na segunda-feira. que os muçulmanos não são perseguidos na França.

“A França é um grande país, os cidadãos muçulmanos não são perseguidos, eles constroem livremente suas mesquitas e praticam livremente sua religião”, disse o CFCM, que atua como um interlocutor oficial entre o Estado e os fiéis. Sobre as caricaturas, o presidente do CFCM destacou que a lei “não obriga as pessoas a amarem esses cartuns e dá até o direito de odiá-los”, mas apoiou a posição de Macron que, segundo ele, “pede que não se abandonem as caricaturas por pressão dos terroristas”. 

A frustração também aumentou no Paquistão, no Marrocos, nos territórios palestinos e na Jordânia, onde vídeos nas redes sociais mostravam produtos franceses retirados das prateleiras de supermercados, ou sendo substituídos por produtos de outros países. / AFP

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