Países ocidentais tentam desmembrar a Síria, diz chanceler

Na ONU, Walid Moualem critica sanções impostas ao país e diz que manifestações deixaram em segundo plano as reformas anunciadas pelo governo.

BBC Brasil, BBC

26 Setembro 2011 | 22h01

O Ocidente está tentando criar o "caos total" e desmembrar a Síria, disse nesta segunda-feira o ministro do Exterior do país, Walid Moualem, em discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Moualem culpou ainda a "intervenção estrangeira" pelos protestos populares contra o governo do presidente sírio, Bashar Al-Assad, realizados há vários meses.

O chanceler disse que, devido às manifestações, as reformas anunciadas por Assad tiveram de ficar em segundo plano.

O governo sírio é acusado de reprimir violentamente os protestos populares, em uma campanha que, segundo a ONU, já deixou mais de 2.700 pessoas.

Assad nega as alegações, dizendo que o seu regime está combatendo "gangues de terroristas armados".

'Equilíbrio delicado'

Em seu discurso na ONU, Moulaem disse que governos estrangeiros tentam corroer o equilíbrio delicado que, segundo ele, existe entre os diferentes grupos religiosos sírios.

"Como nós podemos, caso contrário, explicar as provocações da mídia, e o financiamento e armamento de extremistas religiosos?", afirmou o chanceler.

"A que propósito isto pode servir, a não ser o caos total que desmembraria a Síria?", questionou ele.

Moulaem também disse que as sanções econômicas impostas recentemente pelos Estados Unidos e pela União Europeia estavam ferindo "os interesses e as necessidades básicas e diárias de subsistência do povo sírio".

O Conselho de Segurança da ONU condenou a repressão do governo aos protestos, que começaram em março.

No entanto, o Conselho continua dividido sobre a aplicação de sanções ao regime de Assad. A iniciativa dos EUA e dos países europeus de punir a Síria encontra a resistência de Rússia e China, membros permanentes do órgão.

Al-Rastan

No mais recente capítulo da onda de violência, tanques sírios bombardearam na noite desse domingo a cidade estratégica de Al-Rastan, na província de Homs, no centro do país, deixando três pessoas feridas, segundo ativistas dos direitos humanos e moradores.

No domingo, um morador de Al-Rastan disse à agência Reuters que cerca de 60 tanques e veículos blindados estavam no leste da cidade.

Homs é um importante foco de protestos, com o relato de soldados desertando e unindo-se às manifestações contra Assad.

Os acontecimentos na Síria são difíceis de verificar de forma independente, já que jornalistas estrangeiros têm sido, em sua grande maioria, impedidos de entrar no país.

No entanto, a jornalista da BBC Lyse Doucet está na capital síria, Damasco. Ela diz ser extremamente difícil fazer com que a população fale de política, exceto aqueles que defendem o presidente.

A correspondente da BBC diz que Assad ainda conta com algum apoio, mas a violenta repressão aos protestos nos subúrbios da capital, além das cidades e vilarejos no interior, está reduzindo, segundo ela, a base de apoiadores ao governo. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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