Países oferecem US$ 100 mi, mas pedem a abertura de Mianmar

Primeiro-ministro do país diz que a junta militar aceita ajuda internacional, mas 'sob condições'

Agência Estado e Associated Press,

25 de maio de 2008 | 13h55

Os 51 países participantes de uma conferência para ajudar Mianmar a se recuperar do ciclone Nargis, que deixou 78 mil mortos três semanas atrás, prometeram um total de US$ 100 milhões em auxílio, mas advertiram a junta militar do país de que o dinheiro só será repassado se os voluntários internacionais tiverem acesso às regiões mais atingidas. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse estar "cautelosamente otimista" quanto a isso.   Veja também: ONU e países da Ásia realizam conferência para ajudar Mianmar Termina plebiscito em regiões arrasadas de Mianmar   O primeiro-ministro de Mianmar, general Thein Sein, saiu da conferência deste domingo em Yangon afirmando que a junta militar aceita ajuda internacional, mas "sob condições". "Suprimentos poderão ser transportados por terra, mar ou ar. Mas, caso eles tenham que ser trazidos por mar, somente navios civis serão permitidos, e apenas pelo porto de Yangon", declarou o general.   Observadores da conferência interpretaram essa declaração como um veto à participação de navios das Marinhas de guerra dos EUA, do Reino Unido e da França que estão carregados de suprimentos e à espera de permissão para começar a entregá-los em portos de Mianmar.   "Estou cautelosamente otimista de que isso possa ser um ponto de virada e que Mianmar seja mais flexível, mais prática, e encare a realidade dos fatos", disse Ban Ki-moon à Associated Press.   Segundo o general Thein Sein, 3.200 toneladas de ajuda humanitária internacional já foram distribuídos às vítimas do ciclone. A estimativa oficial é de que o ciclone tenha deixado 78 mil mortos e que outras 56 mil pessoas ainda estejam desaparecidas.   O primeiro-ministro de Cingapura, George Yeo, um dos organizadores da conferência de doadores, disse que "é por falta de informação que não foi dada mais ajuda até o momento. O problema não é a falta de generosidade, mas de estabelecer mais confiança entre Mianmar e a comunidade internacional".   Já o vice-secretário-assistente de Estado dos EUA, Scot Marciel, disse que seu país está preparado para oferecer mais do que os US$ 20,5 milhões que doou até agora, mas que só vai fazê-lo se os militares de Mianmar permitirem o acesso de especialistas internacionais em socorro a todas as áreas atingidas.   Diplomatas da Austrália e de vários países europeus, entre eles Alemanha, Dinamarca, Holanda e Suécia, também fizeram promessas de mais ajuda, condicionadas a maior acesso. "O motivo pelo qual viemos até aqui foi para dar apoio a Ban Ki-moon. Estamos bastante otimistas sobre o que acertamos com o governo local, mas também céticos, porque temos que ver o que acontece na prática", disse o ministro de Cooperação para Desenvolvimento da Holanda, Bert Koenders.   Durante a conferência deste domingo, a União Européia, que já havia doado US$ 72,5 milhões para Mianmar, prometeu mais US$ 26,8 milhões; a China elevou sua ajuda para US$ 11 milhões; as Filipinas dobraram sua oferta anterior, para US$ 20 milhões; e a Coréia do Sul elevou sua doação para US$ 2,5 milhões.   De acordo com a ONU, 2,4 milhões de pessoas foram afetadas pelo ciclone e 42% delas já receberam algum tipo de assistência; mas, dos 2 milhões de pessoas que vivem nos 15 municípios mais atingidos pela tempestade, apenas 23% já receberam alguma ajuda. "Faltam apenas algumas semanas até que a temporada de plantio de arroz comece. Se não conseguirmos lidar com esse problema hoje, ele será imensuravelmente pior amanhã", disse Ban Ki-moon.

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