Países pobres precisam controlar expansão urbana, diz ONU

Os países pobres precisam planejar urgentemente o crescimento sustentável das suas cidades, disse a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, 17, numa reunião com centenas de delegados sobre o tema em Nairóbi, onde ficam algumas das piores favelas da África.A ONU prevê que nos próximos meses a população urbana do mundo supere pela primeira vez a população rural. Até 2030, segundo essa estimativa, dois terços da humanidade viverá em cidades - inclusive mais da metade de todos os africanos. A ONU divulgou um estudo sobre o meio ambiente na capital do Quênia para coincidir com a conferência promovida pela sua agência para a habitação, a Habitat. O relatório destaca os problemas comuns a muitas cidades de países pobres em áreas como saúde e desenvolvimento."Esta é uma avaliação com sobriedade de uma cidade no leste da África no começo do século 21 que enfrenta, assim como muitas áreas urbanas em países em desenvolvimento, um conjunto significativo de desafios", disse Achim Steiner, diretor do Programa Ambiental da ONU.A população de Nairóbi saltou de 1,1 milhão para 3 milhões nos últimos 22 anos, diz o estudo, mas o atual plano para sua expansão foi concebido há mais de 50 anos. Estima-se que 44% de seus habitantes vivam na pobreza, muitos deles em enormes favelas sem serviços básicos. Expansão urbanaA expansão urbana cria uma forte competição por espaço, e o Parque Nacional de Nairóbi, famoso por seus leões, leopardos, gnus e rinocerontes, já está ameaçado, diz o texto. O mau planejamento contribui para congestionamentos no tráfego, o que também agrava a poluição."Nossa busca comum, seja por crescimento econômico, justiça social, biodiversidade ou proteção climática, vai depender em grande medida da nossa capacidade de gerenciar nossas cidades e o processo de urbanização", disse a diretora do Habitat, Anna Tibaijuka, aos delegados da conferência.O relatório também destaca o novo fenômeno da agricultura urbana, que estaria movimentando mais de US$ 3 milhões por ano em Nairóbi, numa "estratégia de sobrevivência" usada principalmente por mulheres."Atualmente, muitos agricultores de baixa renda estão bloqueando esgotos para obterem água para irrigação, aumentando o risco de que a água suja provoque um aumento na difusão de doenças, envenenamento químico e outros problemas ambientais", disse o Programa Ambiental da ONU em nota.

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