Spencer Platt/AFP
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Países ricos colhem o que plantaram com variante Ômicron; leia análise

Talvez nenhum outro momento da pandemia tenha comprovado mais verdadeiramente o mantra ignorado de que 'ninguém está a salvo até que todos estejam a salvo'

Anthony Faiola*, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2021 | 05h00

Ômicron – a variante do coronavírus com mutações preocupantes primeiramente detectada no não vacinado sul da África – chegou ao bem vacinado Ocidente. Em meio a um novo pânico global e a novas restrições a viagens, casos confirmados de infecção pela nova cepa emergiram do Reino Unido à Austrália. Se a variedade Ômicron agora se espalhar pelas capitais ocidentais com força similar à que a Delta se espalhou, os países ricos, afirmam os cientistas, estarão colhendo o que semearam. 

Talvez nenhum outro momento da pandemia tenha comprovado mais verdadeiramente o mantra ignorado de que “ninguém está a salvo até que todos estejam a salvo”. Novas variantes do coronavírus, afirmam especialistas, são uma consequência mortífera da desigualdade vacinal – e de um sistema internacional que tem permitido aos países ricos estocarem vacinas para si, deixando os países mais pobres e menos poderosos sobrevivendo com migalhas.

Baixos índices de vacinação também fizeram desses países potenciais campos de germinação de mutações virais capazes de se espalhar rapidamente por um mundo globalizado. Os índices de cobertura vacinal completa nos EUA, na França e na China são de 60%, 70% e 77%, respectivamente. Compare isso com apenas 6% do 1,2 bilhão de habitantes da África. 

“Nossas conquistas em nossos próprios países estão em risco em razão dos fracassos fora dos nossos países. Por causa do nacionalismo vacinal, não apenas nos EUA e na Europa, mas também na Índia e na China”, disse, no fim de semana, J. Stephen Morrison, diretor do centro para política sanitária global Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais. “Se há transmissão descontrolada em grandes populações, este é o ambiente ideal para a geração de novas variantes. Na África, o índice de vacinação é de 6%. Haverá mutações.” 

Talvez o maior problema seja que os países ricos estão deixando para trás os mais pobres, distribuindo doses de reforço e vacinas para crianças antes que os grupos mais vulneráveis de muitos países africanos não tenham tomado nem sequer a primeira dose. /TRADUÇÃO DE GUILHERME RUSSO

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