Países ricos têm recessões sincronizadas, diz FMI

Um estudo divulgado pelo Fundo Monetário Internacional sobre as recessões nos países industrializados contém uma supresa para os economistas e uma mensagem positiva sobre os esforços que o Brasil fez nos últimos três anos para consolidar a estabilidade econômica. A surpresa é que, ao contrário do que supunham os economistas da própria instituição, as recessões nos países ricos tendem a ocorrer de maneirar sincronizada. Quando a desaceleração começou simultaneamente na Europa e no Japão, no final do ano 2000, engrossando uma tendência recessiva que já virou norma no Japão, o próprio FMI chamou atenção para o fato, afirmando, na época, que se tratava da primeira recessão sincronizada no mundo desenvolvido, em várias décadas.O exame mais cuidadoso do tema, incluído no relatório Perspectivas da Economia Mundial, revela que "historicamente, a sincronização é a norma". Os economistas do FMI estudaram 93 recessões ocorridas em 21 países, entre 1973 e o ano passado. Mascaradas por choques como o estouro da bolha especulativa dos preços dos ativos no Japão e pelas conseqüências da reunificação da Alemanha do início do anos 90, as desacelerações desemparelhadas registradas durante a década passada "foram a exceção", concluíram. Os crescentes laços comerciais entre os países industrializados, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, são parte da explicação. O fim do mercado delirante das ações high-tech foi um fenômeno internacional que contribuiu para a desaceleração recente. Outra informação nova da análise é que as recessões nos países ricos têm mostrado uma tendência a serem cada vez curtas e fracas. "Há dois círculos virtuosos aparecendo nas nações industrializadas, e eles são relevantes para a América Latina", disse David Robinson, um economista do FMI. " À medida em que a inflação caiu, os empresários passaram a olhar mais para a frente e a creditar que os bancos centrais são capazes de mantê-la baixa, o que torna o trabalho dos BCs muito mais fácil", explicou. "À medida em que a inflação diminuiu, diminui também a volatilidade".Como a volatilidade tem sido uma das características econômicas marcantes da América Latina, Robinson disse que "a adoção do regime de metas para a inflação na América Latina traz a promessa de que os círculos virtuosos que se você vê hoje nos países industrializados aconteçam também na região". Como o Brasil é o principal usuário desse tipo de política monetária, a declaração do economista pode ser lida como uma recado do FMI aos candidatos ao Planalto: não mexam no que está dando certo.

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