Países se dividem nas reações ao ultimato de Bush

O mundo reagiu dividido ao ultimato do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, dando 48 horas para que Saddam Hussein e seus filhos deixem o Iraque ou se preparem para enfrentar uma guerra. A Indonésia, o país muçulmano mais populoso do mundo, Índia, França e o México manifestaram consternação com a decisão. A China anunciou que ainda espera que seja encontrado um caminho pacífico para a crise, enquanto a Austrália ofereceu soldados para reforçarem as forças norte-americanas e britânicas no Golfo Pérsico. "Era uma decisão que tinha de ser tomada", comentou o primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi. "Nós apoiamos a decisão dos EUA", declarou. O chanceler da Alemanha, Gerhard Schröder, por sua vez, manifestou-se contra o ultimato, afirmando que a ameaça representada pelo governo de Saddam Hussein não justifica uma guerra que causará a morte de milhares de inocentes. Os 22 membros da Liga Árabe criticaram a exigência de Bush, citando que a última resolução da ONU sobre o Iraque não fixa um deadline específico. "Esse passo não conta com a legitimidade internacional e prova que os EUA optaram por uma ação militar e não pela via diplomática preferida pela comunidade internacional", disse o porta-voz da Liga Árabe, Hisham Youssef. Wen Jiabao, em seu segundo dia como primeiro-ministro da China, país que é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, defendeu todos os esforços para se evitar um conflito e afirmou que o trabalho dos inspetores deveria continuar.O presidente do México, Vicente Fox, mostrou consternação pelo fato de o impasse diplomático ter levado, aparentemente, a uma guerra e declarou que a oposição do país a uma ação militar não deverá afetar as relações com os EUA. O presidente do México, membro do CS da ONU, vem caminhando sobre uma corda bamba, dividido entre a possibilidade de perder apoio da população que se opõe majoritariamente a uma ação militar ou entrar em conflito com os EUA, principal parceiro comercial do país e que respondem por 75% do comércio internacional. "Nós continuamos a acreditar que os esforços diplomáticos ainda não se esgotaram", declarou Fox. Na Indonésia, o porta-voz do governo, Marty Natalegawa, lamentou a ruptura diplomática representada pela decisão de Bush. "Nós acreditamos que deveríamos encontrar uma solução para a crise na esfera da ONU", disse. Na Nova Zelândia, a primeira-ministra, Helen Clark, disse que era "amplamente discutível" se uma ação militar liderada pelos EUA seria justificada pelas leis internacionais. O primeiro-ministro da Suíça, Goeran Persson, no entanto, foi mais incisivo e disse que um ataque dos EUA sem apoio da ONU seria ilegal. "Se houver uma guerra, será uma ação sem legitimidade internacional e será ilegal, uma vez que temos um cara forte batendo em um pequeno", comentou.A Índia divulgou uma crítica velada ao unilateralismo dos EUA, enquanto o Paquistão convocou uma reunião emergencial do Parlamento para dicutir o assunto amanhã. "Nossa posição é a favor de uma decisão multilateral", disse o porta-voz do Ministério de Relações Externas da Índia, Navtej Sarna. Anteriormente, o governo da Coréia do Sul tinha manifestado apoio aos EUA no combate às armas de destruição em massa supostamente desenvolvidas pelo Iraque, além de ter sinalizado que enviaria engenheiros militares para darem apoio às forças norte-americanas. As informações são da Dow Jones.

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