Países se juntam para criticar Israel no Conselho da ONU

Membros do Conselho de Segurança da ONU manifestaram na terça-feira profunda preocupação com o impasse no processo de paz entre israelenses e palestinos, e criticaram Israel por insistir na ampliação de seus assentamentos da Cisjordânia.

REUTERS

20 de dezembro de 2011 | 19h52

As declarações foram uma reação a um depoimento do secretário-geral-assistente da ONU para assuntos políticos, Oscar Fernández-Taranco, que apresentou um quadro sombrio para as perspectiva do processo de paz, interrompido em 2010 devido à recusa de Israel em paralisar a expansão dos assentamentos.

Grã-Bretanha, França, Alemanha e Portugal disseram em declaração conjunta que a apresentação de Fernández-Taranco mostrou o "efeito severamente nocivo" que a atividade colonizadora de Israel representa. Eles também cobraram que o governo de Israel cumpra a promessa de punir colonos judeus responsáveis por atos de violência.

Sem citar explicitamente os EUA, o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, acusou Washington de fazer vista grossa às atitudes de Israel. "Há uma delegação que não quis ouvir falar nada disso, nenhum tipo de declaração, que acredita que de alguma forma as coisas vão meio que se resolverem sozinhas, milagrosamente, por conta própria", afirmou.

O embaixador sul-africano, Baso Sangqu, leu nota em nome dos 120 países do Movimento dos Não-Alinhados, basicamente reiterando a declaração europeia e acusando a atividade colonizadora de ser "ilegal" e constituir "o principal empecilho a uma solução com dois Estados no conflito israelo-palestino".

A representante brasileira, Maria Luiza Ribeiro Viotti, ecoou as palavras de Sangqu em uma declaração que ela leu em nome de Brasil, Índia e África do Sul. O embaixador libanês, Nawaf Salam, fez declarações semelhantes.

Com essas declarações, individuais ou conjuntas, pelo menos nove dos 15 países do Conselho se manifestaram. Os representantes dos EUA, cujo poder de veto há décadas inviabiliza a adoção de uma resolução contra Israel, não fizeram declarações.

Karean Peretz, porta-voz da legação israelense na ONU, reagiu às declarações dizendo que "o principal obstáculo à paz foi e continua sendo a alegação palestina ao chamado direito de retorno (de refugiados árabes) e sua recusa em reconhecer Israel como um Estado judaico".

O observador palestino, Riyad Mansour, disse a jornalistas que "um poderoso membro do Conselho de Segurança" - os EUA - está dificultando a solução da questão dos assentamentos e de outros problemas relacionados ao processo de paz do Oriente Médio.

(Por Louis Charbonneau)

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