Países vizinhos do Zimbábue pedem adiamento de eleição

Nações africanas alegam que reeleição de Mugabe não pode ter validade devido à violência no país

Reuters,

25 de junho de 2008 | 16h52

Países vizinhos do Zimbábue pediram o adiamento do segundo turno da eleição presidencial, marcado para sexta-feira, dizendo que a reeleição do presidente Robert Mugabe pode não ter legitimidade por causa do atual clima de violência no país. O apelo, feito por uma cúpula de três nações do sul da África foi, a maior pressão até agora sobre Mugabe.   Veja também: Polícia do Zimbábue prende mais de 200 em sede da oposição 'Fico na embaixada enquanto for necessário' diz Tsvangirai Opositor pede intervenção de tropas da ONU no Zimbábue Tsvangirai: de líder sindical a inimigo do regime Mugabe, ditador do Zimbábue há quase 30 anos  O presidente zimbabuano tem rejeitado uma enxurrada de condenações da comunidade internacional da violência que vem causando vítimas desde a realização do primeiro turno das eleições, em 29 de março.   A África do Sul, potência regional, se uniu à pressão, informando que um alto negociador do país está em Harare mediando conversações sobre as opções para resolver a crise, incluindo o adiamento da votação. Mas a Comissão Eleitoral do Zimbábue considerou que a retirada da candidatura pelo líder da oposição, Morgan Tsvangirai, no domingo, não tem força legal e por isso a eleição será mantida. Tsvangirai se retirou da disputa por causa da violência, que já causou a morte de quase 90 de seus partidários. Ele disse que a votação é um logro e pediu que a União Africana, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), liderem um governo de transição no Zimbábue.   Uma reunião de emergência da Comunidade de Desenvolvimento do Sul-Africano, na capital da Suazilândia, Mbabane, concluiu: "É da opinião da cúpula da organização que a realização da eleição nas circunstâncias atuais pode minar a credibilidade e a legitimidade do resultado." O documento diz que a cúpula recebeu informações do presidente sul-africano, Thabo Mbeki, que a Comunidade designou na terça-feira como seu mediador no Zimbábue. Mbeki foi criticado anteriormente por ter assumido uma posição muito branda e ineficaz em relação a Mugabe. Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, pediu a indicação de um novo mediador. Os países participantes da reunião - a Tanzânia, que preside atualmente a União Africana, Suazilândia e Angola - fizeram um chamado por negociações entre o governo e a oposição antes da fixação de uma nova data para o segundo turno. Ainda nesta quarta-feira, o Reino Unido retirou de Mugabe o título honorário de cavaleiro britânico, concedido em 1994, quando o presidente do Zimbábue ainda era considerado um modelo de líder africano pela ex-potência colonial. O Ministério de Relações Exteriores informou que o país tomou essa medida em razão da repulsa pelas violações dos direitos humanos no Zimbábue.   Mandela   O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela expressou sua preocupação com a crise eleitoral no Zimbábue e criticou a liderança do país nesta quarta. Em um pronunciamento em Londres, ele disse que houve uma "trágica falha na liderança" do Zimbábue.     

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