Palácio britânico era vasculhado à caça de escutas--testemunha

Agentes dos serviços de segurançabritânicos vasculhavam constantemente o Palácio de Buckingham,residência da rainha Elizabeth 2a em Londres, à procura deaparelhos de escuta, afirmou o ex-secretário particular dela naterça-feira, durante a investigação sobre a morte da princesaDiana. As verificações realizavam-se para garantir que asconversas e os telefonemas da família real e de seus empregadosnão fossem vigiados, disse Robert Fellowes. Fellowes, o mais importante funcionário ou ex-funcionárioda família real a testemunhar durante a investigação sobre asmortes de Diana e do namorado dela, Dodi al-Fayed, também negouos boatos de que esteve em Paris na noite em que os doismorreram e de que teria ajudado a tramar o "assassinato" deles. O pai de Dodi, Mohamed al-Fayed, dono da loja dedepartamentos Harrods, diz que seu filho e Diana foram mortospelos serviços de segurança britânicos por ordem do príncipePhilip, marido da rainha Elizabeth e ex-sogro da princesa. Fayed acredita que Philip ordenou o suposto assassinatoporque a família real não desejava que a mãe do futuro rei daInglaterra tivesse uma criança com o filho dele. O empresárioafirma que o corpo de Diana foi embalsamado para apagar asprovas sobre a gravidez dela. Segundo o pai de Dodi, Fellowes, que se casou com Jane,irmã de Diana, estava em Paris à frente do centro decomunicações da embaixada britânica e enviou mensagens para osserviços secretos na noite em que a princesa morreu, em agostode 1997, após o carro em que ela estava ter colidido dentro deum túnel. "Foi sugerido que o senhor teve uma participação importanteno assassinato de sua cunhada", afirmou o advogado Ian Burnetta Fellowes. Questionado sobre se esteve em Paris naquela noite,Fellowes respondeu: "Não". Ele disse que, no dia em questão,assistiu a uma apresentação realizada dentro de uma igreja deNorfolk, leste da Inglaterra. Fellowes, secretário particular da rainha de 1990 a 1999,revelou que os cômodos do Palácio de Buckingham eramvasculhados regularmente por agentes do M15 à procura deescutas. "Precisávamos nos certificar, de tempos em tempos, de quenão havia nenhuma escuta telefônica ali", afirmou, quandocomentou sobre o fato de duas conversas mantidas em telefonesdo palácio terem vazado --uma de Diana e uma do príncipeCharles. "Os cômodos onde a rainha e seus secretários particularesdeliberavam eram vasculhados regularmente", acrescentou. A investigação, que custou até agora 6 milhões de libras(11,7 milhões de dólares), mergulhará mais profundamente nomundo das agências de inteligência quando Richard Dearlove,ex-chefe do Serviço Secreto de Inteligência (SIS), testemunhar,no dia 20 de fevereiro. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores daGrã-Bretanha afirmou que o serviço recebia com satisfação aoportunidade de "refutar as acusações sobre o envolvimento doSIS no acidente que provocou a morte da princesa de Gales e dosenhor al-Fayed."

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