Daniel Leal-Olivas/AFP
Daniel Leal-Olivas/AFP

Palácio de Buckingham barrou contratação de imigrantes e minorias, revela jornal

Documentos obtidos pelo Guardian indicam que a residência oficial e principal local de trabalho da rainha Elizabeth II evitou 'imigrantes de cor ou estrangeiros' até ao menos final da década de 1960

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2021 | 15h00

O Palácio de Buckingham, residência oficial e principal local de trabalho da  rainha Elizabeth II, evitou a contratação de “imigrantes de cor ou estrangeiros” em funções administrativas até ao menos o final da década de 1960, de acordo com documentos obtidos com exclusividade pelo jornal britânico The Guardian e publicados nesta quarta-feira, 2.

Os documentos foram encontrados no Arquivo Nacional do Reino Unido e fazem parte de uma investigação do jornal britânico sobre a forma como a família real britânica tem ou não se beneficiado de uma misteriosa regra parlamentar, o "queen’s consent", que lhe permite influenciar as leis do país. 

A revelação ocorre em meio a um momento turbulento para a família real britânica, após uma recente entrevista repleta de acusações feitas pelo príncipe Harry e por sua mulher, Meghan Markle, que envolveu, entre outros tópicos, questões raciais.

Como parte de investigações sobre a família real, o Guardian descobriu um documento de 1968 nos Arquivos Nacionais no qual lorde Tyron, o responsável pelas finanças da rainha, afirma que “não era, de fato, prática nomear imigrantes negros ou estrangeiros” para funções administrativas no palácio. Eles, no entanto, teriam permissão para trabalhar como empregados domésticos.

Não se sabe se o Palácio de Buckingham abandonou a “prática” e, procurado pela reportagem do Guardian, não respondeu perguntas sobre a proibição, ou se ela foi revogada. O palácio afirmou, no entanto, que há registros de “pessoas de minorias étnicas sendo empregadas na década de 1990” e antes disso não havia registros sobre as origens raciais dos funcionários.

Durante a entrevista do príncipe Harry  e Meghan, uma das acusações mais polêmicas foi que um membro da família real havia expressado preocupação sobre a cor da pele do filho do casal, Archie, antes que ele nascesse. Segundo a apresentadora  Oprah Winfrey, que faturou US$ 7 milhões (R$ 40 milhões) com a entrevista, Harry teria dito que não foi a rainha nem o príncipe Philip.

“Naqueles meses, quando eu estava grávida, havia preocupações e conversas sobre o quão escura sua pele poderia ser quando ele nascesse”, disse Meghan. Ela e Harry, porém, se recusaram a dizer qual membro da realeza fez tais comentários.

Entretanto, o prícipe de 36 anos admitiu ter ficado magoado por sua família nunca ter discutido o “tom colonial” e o racismo com que Meghan foi tratada pela imprensa britânica. Logo após o nascimento de Archie em maio do ano passado, um apresentador da emissora BBC postou no Twitter uma foto de um casal segurando um chimpanzé, sob o título “O bebê real deixou o hospital”.

Meghan, filha de mãe negra e pai branco, foi a primeira mestiça a compor o time sênior da realeza britânica. A duquesa de Sussex sugeriu que o fato de Archie ser mestiço foi pretexto para que ele não tivesse título de príncipe, e a subconsequente proteção de agentes de segurança que acompanha o título. Durante a entrevista, a duquesa também disse que “não queria mais estar viva” e havia pensado em suicídio por conta do assédio da mídia e da vida no palácio. Ela disse que pediu ajuda da “instituição”, que lhe foi negada.

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