Palestina está em risco extremo por crise financeira

O governo palestino está em "risco extremo" por causa de uma crise financeira sem precedentes, em grande medida, porque os países árabes falharam no compromisso de enviar centenas de milhares de dólares em ajuda prometida, afirmou o primeiro-ministro da Palestina, Salam Fayyad, neste domingo.

EQUIPE AE, Agência Estado

06 de janeiro de 2013 | 18h44

O estrangulamento de recursos teve piora gradual nos anos recentes e a Autoridade Palestina agora atingiu o ponto de não ser capaz de pagar os salários de cerca de 150 mil funcionários do governo, disse ele.

O número de palestinos considerados pobres pode dobrar rapidamente para 50% da população de quase 4 milhões de pessoas, se a crise continuar, afirma. "O status quo não é sustentável", disse Fayyad.

A Autoridade Palestina, estabelecida há duas décadas como parte de acordos de paz com Israel, está "à beira de ficar completamente incapacitada", advertiu ele.

Neste domingo, o presidente Mahmoud Abbas determinou que o governo se prepare para substituir "Autoridade Palestina" por "Estado Palestino" em documentos públicos. Representantes de Israel se recusaram a fazer comentários.

Em dezembro, Israel interrompeu transferências mensais de recursos da ordem de US$ 100 milhões - impostos que coleta pelos palestinos. A soma representa cerca de um terço dos custos operacionais mensais da Autoridade Palestina. Fayyad disse que agora apenas recebe cerca de US$ 50 milhões em receita mensal.

Enquanto isso, a Liga Árabe, de 22 países, não manteve a promessa feita de suprir a quantia de recursos interrompida por Israel, citou Fayyad said.

Neste domingo, o representante da Liga Mohammed Sobeih escreveu aos seus membros pedindo o pagamento de US$ 100 milhões.

Ele acrescentou, no entanto, que os países europeus mantiveram seu compromisso.

Cerca de US$ 200 milhões em ajuda dos EUA foram retidos pelo Congresso no ano passado, uma soma que a administração Barack Obama espera entregar aos palestinos neste ano, junto com ajuda adicional no valor de US$ 250 milhões.

Nos últimos meses, a Palestina pagou os salários de seus servidores em parcelas. Fayyad disse que pagou metade dos salários relativos a novembro ao pegar outro empréstimo bancário, dando como colateral o comprometimento da Liga Árabe de apoio futuro. Ele afirmou, porém, que não poderá pagar o restante dos salários de novembro, muito menos pensar nos salários relativos a dezembro.

A Autoridade Palestina deve aos bancos locais mais de US$ 1,3 bilhão e não pode obter mais financiamentos. Também deve centenas de milhões em dólares para o setor privado.

A crise "nos colocou em risco extremo", alertou Fayyad.

O primeiro-ministro disse que a comunidade internacional precisa decidir se quer que a Autoridade Palestina, uma vez vista como central para qualquer acordo de paz no Oriente Médio, sobreviva.

"Uma Autoridade Palestina fraca não ser um agente efetivo se todo tempo estiver preocupada em fazer as contas fecharem", disse. As informações são da Associated Press.

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