Palestina protesta contra cerco a Arafat e 4 morrem

O presidente palestino Yasser Arafat continuava, na noite deste sábado, cercado pela forçasmilitares israelenses que ameaçaram fazer explodir o edifícioonde ele resistia, embora o governo de Tel Aviv tenha negado quepretenda causar qualquer dano ao líder palestino. Milhares de palestinos desafiaram o toque de recolher esaíram às ruas em defesa de Arafat, tanto em Ramallah, onde doisdeles morreram, como em outras cidades da Cisjordânia e Gaza, emum agravamento de tensão que despertou preocupação em váriosgovernos. As manifestações e a tentativa dos militares israelensesde impedi-las se generalizaram por todas as áreas palestinas, epelo menos quatro palestinos perderam a vida, já que além dasduas mortes em Ramallah houve outra no campo de refugiados deBalata, em Nablus, e o quarto palestino foi ferido aoparticipar de uma manifestação em Tulkarem e morreu pouco depois em um hospital. Fontes palestinas disseram que uma das vítimas emRamallah morreu com um disparo na cabeça e a outra, no peito. Habitantes de Ramallah e jornalistas ocidentais puderamver quando os militares, usando alto-falantes e falando árabe,intimaram hoje à tarde os ocupantes do edifício onde Arafatpermanece a desocupá-lo "um a um e com as mãos para o alto".Os habitantes das imediações também foram advertidos aabandonarem a zona, devido à iminência de uma "poderosaexplosão". Mas no que parecia ser uma guerra de nervos, um porta-vozoficial de israel, Dore Gold, declarou pouco depois que seugoverno "não tem nenhum interesse em causar danos" aopresidente palestino. O porta-voz também negou a possibilidade de umaexplosão no edifício, já parcialmente destruído desdequinta-feira, quando Israel lançou uma vasta ofensiva comorepresália a um atentado terrorista que naquele mesmo dia haviamatado seis pessoas em Tel Aviv. Tanques e buldôzeres permaneciam a 10 metros do edifício de cujo interior um dos colaboradores de Arafat anunciou que"ninguém se renderá". A gravidade da situação, que será examinada nasegunda-feira pelo Conselho de Segurança da ONU, levou ogoverno alemão - entre outros governos europeus e árabes - apedir a ambas as partes que façam esforços para impedir umdesenlace que leve a crise a um ponto sem retorno. Fontes governamentais dos EUA disseram que a Casa Brancaacompanha a situação com atenção, embora não tenha feito nenhumpronunciamento público.

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