Palestino é morto a tiros no interior da Basílica da Natividade

A morte de um palestino manchou, nesta segunda-feira, de sangue, a Basílica da Natividade, em Belém, apesar das esperanças alimentadas em Ramallah, onde o líder palestino Yasser Arafat negocia o fim do assédio à igreja como primeiro gesto de um presidente novamente livre.Um homem de 28 anos, Nidal Aweiba, militante da Brigada de Mártires de Al Aqsa, foi morto, nesta segunda, dentro do complexo da igreja por um franco-atirador israelense em circunstâncias, como sempre, pouco claras.Os soldados - que, desde que Belém foi invadida, no início de abril, rodeiam a igreja, onde estão entrincheiradas cerca de 200 pessoas - dizem ter respondido ao fogo. Os palestinos negam que tenha havido um tiroteio.Ao mesmo tempo, outros dois palestinos ficaram feridos. A morte de Aweiba, a terceira desde que há uma semana começaram as negociações para pôr fim ao assédio, foi uma confirmação para os palestinos da suspensão das negociações diretas - de qualquer forma interrompidas desde este domingo por tempo indeterminado, após uma reunião sem resultados.Salah Taamari, deputado à frente das conversações, quer continuar negociando uma espécie de trégua nos ataques dos franco-atiradores e a distribuição de comida para os refugiados no templo, que há dois dias não têm o que comer. Mas provavelmente o motivo da suspensão é outro.As negociações se deslocaram para Ramallah, no âmbito político. A comissão mista de negociações é composta por palestinos de Belém e militares israelenses, que têm limitada autoridade e autonomia de decisões. A questão da basílica, assim como a do QG em Ramallah - onde, desde o fim de março, é mantido sob cerco o presidente da Autoridade Palestina, de quem a diplomacia de meio mundo tem se ocupado - serão resolvidas em outro lugar.Fontes oficiais palestinas comunicaram que Arafat está disposto a aceitar um plano norte-americano-britânico para superar o impasse. O prefeito de Belém, Hanna Nasser, disse que "o presidente está trabalhando em uma solução semelhante à de Ramallah".Ali no quartel-general, seis palestinos são buscados por Israel como acusados do assassinato, no ano passado, em Jerusalém, do ministro do Turismo Rehavam Zeevi; eles serão transferidos para uma prisão em Jericó, vigiada por guardas norte-americanos e britânicos.Do mesmo modo poderiam ser tratados os homens refugiados na igreja de Belém, que são acusados por Israel de "terrorismo". O ministro da Defesa israelense, Binyamin Ben-Eliezer, disse que "não são mais do que 25 os supostos militantes". No início da crise, os israelenses falavam de 250 "com as mãos sujas de sangue".Por sua vez, os EUA parecem otimistas, enquanto o Vaticano, em vista dos últimos acontecimentos, decidiu repentinamente mandar em missão o cardeal Roger Etchegaray. Se Arafat conseguir, como parece, ser libertado, não pode deixar a Basílica de Belém "prisioneira" por muito tempo.Enquanto isso, Belém continua em compasso de espera, em meio à ansiedade e ao cansaço. Diminuiu o número de tanques e de soldados, e as pessoas começam a desafiar o toque de recolher e saem às ruas. De outro lado, os militares continuam concentrados - e bastante nervosos - na Praça da Manjedoura, diante da igreja da Natividade.

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