Palestino mata dois, fere 50 e é morto em Jerusalém

Um atirador palestino abriu fogo neste domingo contra um ônibus lotado num dos mais movimentados cruzamentos de Jerusalém Oriental, deixando dois mortos e cerca de 50 feridos antes de ser morto a tiros. Segundo a polícia israelense, o atirador disparou um fuzil automático contra o ônibus num cruzamento perto da zona conhecida como a Colina Francesa, um bairro construído em território ocupado por Israel na guerra de 1967 e próximo de vários bairros e vilas palestinos.A polícia afirma que o extremista, identificado como membro do grupo radical palestino Jihad Islâmica, disparou quase um pente inteiro de munição - cerca de 30 balas - até ser morto pelos tiros de um civil, um guarda fronteiriço e um soldado israelense. Alguns passageiros sangrando saíram como puderam do ônibus vermelho e branco e vários motoristas que estavam no local largaram seus carros e fugiram em pânico. O chefe de polícia de Jerusalém, Mickey Levy, disse que dois outros palestinos foram vistos correndo da área logo em seguida, mas não se acredita que estivessem armados nem se sabe se tinham ligação com o autor do ataque.ReaçãoUma testemunha que se identificou apenas como Marcus disse ter disparado contra o extremista após vê-lo crivando de balas a lateral direita do ônibus. "Ele estava lá de pé, atirando", lembrou. "Eu saí do meu carro e atirei. Esvaziei um pente inteiro", acrescentou. "Ele caiu. Então dois militares vieram e eu mostrei a eles onde ele estava. Aí eles atiraram nele com seus (fuzis) M-16." Marcus disse não ser militar, e sim um civil morando numa colônia judaica na Cisjordânia. Levy elogiou a reação de Marcus e dos militares. "A resposta foi muito rápida e eles impediram que mais pessoas inocentes fossem feridas", afirmou. A polícia israelense não divulgou o nome do atirador, mas, horas depois, a Jihad Islâmica informou tratar-se de seu militante Hatem Yaein al-Shuweiki, de 24 anos, originário da cidade de Hebron, na Cisjordânia. "Foi uma reação natural contra os crimes e o terrorismo do governo israelense contra nosso povo", afirmou um alto funcionário da Jihad, Mohammed al-Hindi.TropasO ataque ocorreu horas depois de o gabinete israelense ter decidido retirar suas tropas de mais áreas da Cisjordânia reocupadas parcialmente duas semanas atrás, e de o primeiro-ministro, Ariel Sharon, ter adiado a visita que faria no fim de semana aos EUA, para evitar um confronto com o presidente norte-americano, George W. Bush. Washington tem pedido reiteradamente que Israel desocupe todas as áreas palestinas reocupadas após o assassinato, dia 17, de um ministro israelense por um palestino. Apesar do ataque de hoje, o chanceler israelense, Shimon Peres, afirmou "acreditar" que a retirada será levada adiante como planejado. "Não há dúvida de que vamos fazer tudo para revidar contra esses terroristas", disse Peres ao Canal 2 da TV israelense. Mas, indagado sobre se a retirada de tropas da área em torno de Qalqilya, prevista para começar à noite, seria mesmo realizada, ele afirmou: "Creio que sim." Um porta-voz do governo israelense, Avi Pazner, acusou a Autoridade Nacional Palestina (ANP) de "não fazer nada para conter" a violência antiisraelense. A ANP não comentou imediatamente o ocorrido.

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