Palestino pede que FHC exorte ONU a fazer cumprir resolução

O representante da Autoridade Palestina no Brasil, Mussa Amer Odeh, fez nesta terça-feira um apelo para que o presidente Fernando Henrique Cardoso use seu prestígio internacional para convencer outros líderes mundiais a promoverem uma ação direta que garanta o cumprimento das resoluções da ONU contra a ocupação israelense da Cisjordânia. O pedido foi feito horas depois de uma entrevista na qual o embaixador de Israel, Daniel Gazit, declarou que nem observadores nem soldados de uma força especial de paz conseguiriam interromper a onda de terrorismo que ameaça a população civil judia."Em oito anos de Autoridade Palestina, difundiu-se uma indústria do terror só comparável com a do Afeganistão", denunciou o embaixador israelense para explicar a presença do Exército no território autônomo.Segundo ele, Arafat nunca fez nada para conter os atentados terroristas nem cumpriu os acordos negociados com Israel. "Perdemos toda a esperança e confiança, porque ele não cumpre nada do que fala." Gazit admitiu que a ação militar de Israel também não põe um fim no terrorismo e que não existe uma alternativa de interlocutor a Arafat, reforçando a impressão de que o primeiro-ministro Ariel Sharon não mediu as conseqüências de sua intervenção. "Não temos intenção de ficar muito tempo no território palestino, não queremos reocupar", disse o embaixador.Enquanto Gazit recebia os jornalistas, hoje pela manhã, manifestantes da comunidade palestina no Brasil e militantes do PSTU, PC do B, PT e PPS protestavam contra Israel em frente à embaixada. Palavras de ordem acusando Sharon de ser nazista eram as mais freqüentes.À tarde, o embaixador palestino também acusou o primeiro-ministro israelense de repetir os métodos nazistas da 2ª Guerra Mundial e de dissimular suas reais intenções. "Sharon é um criminoso e não quer realmente dar condições a Arafat para controlar a situação, do contrário não destruiria a polícia palestina", disse Mussa Odeh.Segundo ele, a Autoridade Palestina condena os ataques terroristas contra civis israelenses, mas o "genocídio" dos palestinos estaria estimulando os jovens a se tornarem bombas suicidas. "Você são livres para ir aonde quiserem, e nós somos impedidos de nos movimentar em nossa própria terra", reclamou o embaixador, pedindo uma ação imediata das organizações internacionais.Mussa Odeh garantiu ainda que Arafat não aceitará ser transferido para o Egito ou qualquer outro país, como pretende o governo israelense."Ramallah é nosso país e não deles. Os soldados israelenses é que têm de partir, não o nosso presidente", afirmou.O embaixador de Israel, por sua vez, reafirmou que Arafat não corre risco de vida, mas disse que os estrangeiros que estão confinados com ele, como o líder brasileiro do MST, Mário Lill, deverão ser deportados.

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