ABBAS MOMANI / AFP
ABBAS MOMANI / AFP

Palestino que vive na Cisjordânia conta que vive situação diferente de conflitos anteriores

'Há uma revolução começando em diferentes locais da Cisjordânia, em cidades israelenses e na fronteira com a Jordânia, com o Líbano. Honestamente, é algo que nunca vivemos', diz Hassan Muamer

Fernanda Simas, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2021 | 10h00

O guia turístico palestino Hassan Muamer vive em Belém, na Cisjordânia, e diz que a situação piora a cada dia em meio á escalada da violência entre Israel e Hamas. "Todos os dias, a qualquer hora, recebemos novas notícias, o que nunca aconteceu antes. Em termos do conflito entre Israel e palestinos, em termos de Intifada, isso é muito diferente de tudo que já passamos".

O palestino está acostumado a ver as tensões em Gaza porque mantém contato com os amigos que ainda moram lá, mas considera que as manifestações crescentes em cidades da Cisjordânia e de Israel - como Yaffo, Haifa, Lod e Ramle, onde a convivência entre árabes e judeus israelenses sempre foi pacífica - podem mudar o rumo do futuro da crise entre Israel e palestinos.

"Há uma revolução começando em diferentes locais da Cisjordânia, em cidades israelenses e na fronteira com a Jordânia, com o Líbano, ataques em Gaza e foguetes sendo disparados de Gaza para cá. Honestamente, é algo que nunca vivemos nesses anos de ocupação. É a primeira vez que sentimos alguma vitória, ou pelo menos, alguma mudança em terra ocorrendo. Ver todos esses atores se movimentando dá essa sensação."

Para se conectar com os amigos que estudaram com ele no Egito e atualmente vivem em Gaza, Muamer recorre à tecnologia e por meio de mensagens de WhatsApp sabe como está o conflito por lá. "A maioria fala ‘talvez essa seja nossa última conversa, nossa última oportunidade de estar em contato’ porque não eles sabem quando o próximo ataque vai acontecer É um sentimento inacreditável".

O guia turístico deixou Belém no ano passado para se isolar com a família em uma região de campo a 12 km da cidade e se proteger da pandemia de covid-19. Esse ano, com o avanço da vacinação em Israel, ele voltou, recebeu as doses contra a covid por trabalhar com ONGs internacionais, mas não imaginava que passaria pela tensão que vive hoje.

"A rotina aqui agora é ler as notícias, assistir às notícias, conversar com os conhecidos, ver novamente as notícias, esperar o momento em que os foguetes de Gaza vão vir...é uma rotina de guerra e não uma rotina de vida."

Nesta terça-feira, 18, ele andou de carro pelas ruas de Belém e comemorou o que chamou de "união do povo palestino" durante a greve geral que ocorre em Gaza, Cisjordânia e Israel. "É triste ver essa situação, mas ao mesmo tempo fico feliz por ver o povo palestino comprometido". 

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