Palestinos aceitam adiar ida à ONU se houver negociação 'séria', diz ministro

ANP já havia adiantado que irá pedir reconhecimento do Estado Palestino em setembro

Efe

13 de julho de 2011 | 12h55

JERUSALÉM - O ministro das Relações Exteriores da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Riad al-Maliki, manifestou que a liderança palestina buscará o reconhecimento a um Estado na ONU em setembro, mas que estaria disposta a adiar seu pedido se as negociações de paz com Israel começassem novamente de forma "séria".

 

A solicitação à ONU "pode ser evitada se as negociações começarem antes de setembro e estiverem fundadas sobre bases claras e um calendário", disse o ministro em entrevista publicada nesta quarta-feira pela agência palestina "Ma'an".

 

Em meio à incerteza diplomática pela oposição de Estados Unidos e Israel à possibilidade de a ONU tratar do tema da independência palestina, e sem que o Quarteto tenha alcançado uma declaração em sua reunião em Washington, os palestinos exigem que qualquer processo negociador tenha "garantias" que conduzam a um Estado.

 

"Algumas das partes envolvidas se centram nas negociações para evitar a solicitação de setembro, enquanto outras prestam atenção a sua seriedade para que tenham algum significado", acrescentou o ministro.

 

A alternativa de comparecer à ONU foi concebida pelos palestinos como resposta à estagnação das negociações de paz desde setembro de 2010.

 

"Nossa posição não necessita da aprovação do (primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu). Se a comunidade internacional decidir que as negociações terão um calendário, diremos que sim, mas se Netanyahu disser que não, que assuma a responsabilidade por isso", ressalta.

 

Maliki deu estas declarações depois de a liderança palestina ter se reunido nesta terça-feira na cidade de Ramala para estudar a situação e decidir o que fazer sobre a oposição dos Estados Unidos à sua iniciativa na ONU.

 

O comitê executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) acusou Washington de encorajar as "políticas racistas" de Israel e pediu a esse país, além de a toda a comunidade internacional, que "usem todas as ferramentas à sua disposição para obrigar o ocupante (Israel) a cessar suas políticas racistas e expansionistas".

 

O Comitê Executivo decidiu que a falta de negociações não deixa outra alternativa que não a de recorrer à ONU para que esta reconheça o direito dos palestinos a um Estado nas fronteiras de 1967.

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