Palestinos acompanham eleição em Israel com atenção

Os palestinos estão atentos ao final das eleições de Israel, mas dizem que não têm preferências a respeito dos partidos e candidatos na disputa. Apesar de o partido Kadima prometer continuar o plano do ex-primeiro ministro Ariel Sharon de retirada unilateral de parte dos territórios ocupados, os palestinos dizem que este é apenas um projeto atendendo a interesses de Israel que não vai lhes trazer grandes vantagens. ?Nós respeitamos a democracia israelense e consideramos qualquer vencedor destas eleições um potencial parceiro para paz. Mas para isso o Israel não pode querer dar ordens e tentar executar planos de maneira unilateral?, disse Saeb Erekat, um importante líder do Fatah e da Organização para Libertação da Palestina e veterano das negociações com Israel. O Hamas também diz que não se importa com quem vai ganhar as eleições mas as declarações vêm em um tom bem mais agressivo. ?Nós não interferimos no processo eleitoral israelense. Não há nenhuma diferença entre os partidos israelenses porque todos eles são responsáveis pela tragédia que os palestinos estão vivendo e todos eles fizeram coisas contra nós?, disse o recém-empossado ministro de Relações Exteriores do governo do Hamas, Mahmoud Al-Zahar. Agressividade O analista político palestino Talal Okal, da cidade de Gaza, diz que o partido conservador Likud tem a imagem de ser mais agressivo nas relações com os palestinos mas afirma que os planos de retirada do partido Kadima - que tem também grande apoio no Partido Trabalhista - são vistos como muito prejudiciais se adotados sem negociações. ?É verdade que o Likud tem estratégias mais agressivas em temas de segurança mas por outro lado diz que quer seguir o Mapa da Paz (o plano proposto pela comunidade internacional que estabelece etapas de negociações até o estabelecimento do Estado palestino) enquanto o Kadima quer continuar com medidas unilaterais?, disse. O Kadima, criado pelo ex-primeiro-ministro Ariel Sharon dois meses antes do seu derrame, propõe a retirada de assentamentos isolados ou ilegais na Cisjordânia, que em geral são pequenos. O plano começou com a retirada dos militares e colonos da Faixa de Gaza, no ano passado. O projeto de retiradas limitadas tem o apoio do Partido Trabalhista, mas nenhum grupo político importante em Israel advoga a saída dos grandes assentamentos da região, onde vive a maioria do colonos. O partido Kadima também quer continuar o projeto iniciado por seu fundador de construir uma barreira isolando as áreas palestinas do território israelense. Separação Combinados, os projetos de retirada e da barreira atendem ao plano de separação unilateral entre palestinos e israelenses, que se revelou popular num momento em que poucas pessoas em Israel acredita na possibilidade de retomada das negociações de paz. Mas o analista Talal Okal diz que a separação do modo como os israelenses pretendem fazer só vai piorar a condição e as perspectivas dos palestinos. ?O que o Kadima quer é estabelecer fronteiras para Israel com base na barreira, que inclui Jerusalém e grandes partes da Cisjordânia, onde estão os assentamentos?, disse. ?Se eles seguirem este plano o território palestino vai ser cortado em três e vai ser impossível construir um país.?

Agencia Estado,

28 Março 2006 | 16h40

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.