Divulgação/ONU
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Palestinos admitem que não conseguirão adesão à ONU neste momento

Sem conseguir sequer número mínimo de votos no CS, Abbas perdeu chance de vitória simbólica

Gustavo Chacra, correspondente em Nova York,

11 de novembro de 2011 | 14h50

NAÇÕES UNIDAS, NOVA YORK - Sem conseguir sequer atingir o número de votos mínimos no Conselho de Segurança (CS) para ter ao menos uma vitória simbólica e obrigar os Estados Unidos a usar o poder de veto, os palestinos admitiram nesta sexta-feira, 11, que não conseguirão neste momento a aprovação da Palestina como membro pleno das Nações Unidas.

 

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Os próximos passos, de acordo com o enviado especial palestino à ONU, Riyad Mansour, serão determinados "rapidamente depois de o nosso governo e outras autoridades árabes analisarem o relatório", divulgado nesta sexta. Este texto foi elaborado por uma comissão de admissão das Nações Unidas, composta pelos mesmos membros do Conselho de Segurança, mas não houve consenso entre eles.

 

De um lado, ficaram Brasil, Rússia, China, Líbano, África do Sul e Índia, que defendem a inclusão da Palestina como membro pleno da ONU. De outro, os Estados Unidos, que dizem considerar a admissão palestina prejudicial para o processo de paz, atualmente congelado. 

 

'Forte apoio'

 

"Sabemos que temos forte apoio no CS e dois terços na Assembleia-Geral (AG). Infelizmente, segundo relatório da comissão de admissão, um poderoso país disse que, mesmo se tivermos 14 votos, usaria o poder de veto neste momento", afirmou o diplomata palestino ao se referir aos Estados Unidos.

 

Atualmente, a Palestina tem o status de entidade observadora. Para ser membro pleno, um Estado precisa da aprovação de nove dos 15 membros do conselho, sem nenhum veto, e dois terços dos 193 integrantes da AG. Uma segunda alternativa, proposta pela França aos palestinos, é buscar o reconhecimento como Estado observador. Neste caso, basta ter maioria simples na AG.

 

Em um sinal de que esta deve ser opção, Mansour afirmou que "todos os países europeus disseram que nos apoiariam na Assembleia-Geral caso busquemos esta alternativa".

 

'Merecemos ser membro pleno'

 

Segundo o representante palestino, eles pensaram que poderiam "reverter a oposição deste 'país poderoso'. Avaliamos que, com os esforços diplomáticos e o sucesso na Unesco, poderíamos ser admitidos. Mas esta não é a realidade. Por este motivo, seguiremos trabalhando até que as condições sejam favoráveis para a Palestina ser admitida como membro", acrescentou.

 

"Abrimos a porta do reconhecimento como Estado no sistema da ONU com aprovação na Unesco. Mas merecemos ser um membro pleno e, para isso, precisamos ter sucesso no CS. Manteremos nossa candidatura até conseguir. Muitos países fracassaram em um primeiro momento, incluindo Israel", disse o representante palestino.

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