Palestinos aprovam proposta de retirada israelense

O gabinete palestino aceitou, nesta quarta-feira, uma proposta israelense de retirada gradual e condicional de tropas de áreas da Cisjordânia e Faixa de Gaza - apesar de os soldados de Israel terem matado seis palestinos em diferentes ações. Oficiais de segurança palestinos e membros do serviço de segurança Shin Bet, de Israel, planejavam se reunir ainda na noite de hoje para definir detalhes da proposta, segundo a qual os palestinos assumirão a segurança nas áreas das quais os israelenses se retirarem. A aprovação do gabinete dependia do resultado da reunião e provavelmente enfrentará obstáculos, mesmo se for concretizada. Na noite de hoje, dirigentes do movimento Fatah denunciaram a decisão, dizendo que ela foi tomada sem consultá-los e que significava uma traição à luta palestina dos últimos 22 meses. Segundo o plano de retirada apresentado no começo da semana pelo ministro da Defesa israelense, Binyamin Ben-Eliezer, tropas começariam a sair gradualmente de partes administradas pelos palestinos de Gaza e da cidade de Belém, na Cisjordânia, em troca de garantias palestinas de que não serão lançados ataques a partir dos locais. Ocupações Tropas israelenses vêm controlando áreas de Gaza administradas pelos palestinos desde pouco tempo após o início da atual intifada, há quase dois anos. Além disso, sete das oito grandes cidades palestinas da Cisjordânia foram reocupadas pelo Exército judeu em junho, numa tentativa de evitar ataques contra israelenses. Hoje, o gabinete palestino endossou a proposta, apesar de alguns ministros terem exigido que os soldados se retirem simultaneamente de todas as áreas. "Foi dada uma aprovação preliminar ao plano de segurança israelense", comentou Nabil Shaath, ministro palestino de Planejamento. Raanan Gissin, um conselheiro do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse que este "será um teste para saber se (os palestinos) cumprirão sua parte e adotarão medidas sérias para combater o terrorismo". Mais tarde, políticos filiados ao Fatah - do líder palestino Yasser Arafat - disseram que o comitê central do partido se reunirá amanhã para debater a decisão. "O plano de Ben-Eliezer é algo como combater câncer com aspirina", disse Jibril Rajoub, membro do comitê central do Fatah, afastado recentemente do cargo de chefe de segurança preventiva na Cisjordânia. De acordo com ele, o Fatah precisa agir sozinho para suprir as reais necessidades dos palestinos, "distantes dos interesses pessoais de um grupo de indivíduos dentro da Autoridade Palestina". Ações Durante o dia, Israel lançou diversas ações contra suspeitos de terrorismo que deixou seis palestinos mortos. No incidente mais grave, soldados israelenses mataram Ziad Daas, um líder das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, em Tulkarem, na Cisjordânia. Outras três pessoas aparentemente inocentes morreram nesta operação. Daas era procurado por Israel por sua suposta participação no assassinato de dois donos de restaurantes em Tulkarem, em dezembro de 2000. Fontes israelenses disseram que ele também era responsável por um ataque contra um salão de festas de Hadera, que deixou seis mortos em janeiro último. De acordo com testemunhas, comandos israelenses apoiados por jipes, veículos blindados e helicópteros cercaram o esconderijo de Daas na manhã de hoje. Pistoleiros abriram fogo dentro do prédio. Ainda segundo testemunhas, Daas foi atingido por um franco-atirador israelense quando estava no topo do edifício. Fontes israelenses comentaram que outras três pessoas morreram, inclusive uma internada num hospital israelense. Um porta-voz do Exército disseram que 16 militantes foram detidos na operação. Em Khan Younis, na Faixa de Gaza, o ativista do Hamas Hussam Hamdan, de 26 anos, foi morto com um tiro no peito quando estava sentado na sacada de sua casa, disseram familiares. Dezenas de seguidores do Hamas reuniram-se em frente ao hospital para onde seu corpo foi levado e pediram vingança. Fontes garantem que Hamdan estava preparando ataques contra israelenses e orientou militantes que plantaram bombas em Gaza e lançaram morteiros contra assentamentos judaicos. Tanques Na manhã de hoje, Israel enviou entre 15 e 30 tanques e veículos blindados ao norte da Faixa de Gaza. As máquinas de guerra dispararam bombas e rajadas de metralhadoras contra casas construídas nos arredores do campo de refugiados de Jebalya. Um policial palestino morreu com um tiro na cabeça, aparentemente vítima de uma bala perdida. O Exército israelense garante que os soldados foram atacados e estavam revidando. Três palestinos foram detidos na região em operações de busca. Em outro desdobramento nesta quarta-feira, um caminhão que transportava óleo diesel explodiu após a detonação de uma pequena bomba colocada sob o veículo, informou a polícia. O motorista ficou levemente ferido. Gil Kleiman, porta-voz da polícia, disse ser cedo demais para determinar se os responsáveis eram criminosos comuns ou militantes palestinos. Ainda hoje, a polícia informou que duas mulheres palestinas, ambas com 19 anos, foram detidas sob suspeita de não terem revelado à polícia informações sobre um atentado suicida contra um ônibus que deixou nove mortos no domingo. As duas saíram do ônibus pouco depois de o militante dizer a uma delas que "algo terrível" estava prestes a acontecer, disse Ilan Harush, um chefe de polícia local no norte de Israel.

Agencia Estado,

07 Agosto 2002 | 20h56

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