Tsafrir Abayov/AP Photo
Tsafrir Abayov/AP Photo

Facções palestinas rivais lançam mais de 300 foguetes de Gaza contra Israel

Hamas declara que ataque foi lançado em resposta a uma operação secreta conduzida no domingo à noite no território que levou à morte de comandantes e combatentes dos grupos; fonte israelense diz que missão era apenas para ser de vigilância

O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2018 | 16h12
Atualizado 13 de novembro de 2018 | 13h18

GAZA/JERUSALÉM - Militantes rivais palestinos na Faixa de Gaza uniram forças e lançaram um intenso e contínuo ataque de foguetes contra o sul de Israel nesta segunda-feira em retaliação pela morte de seis combatentes por forças israelenses em uma operação secreta na noite de domingo no território. Um dos foguetes palestinos atingiu um ônibus na região sul de Israel e feriu gravemente um adolescente. Um homem foi encontrado morto sob os escombros de um prédio na cidade de Ashkelon, onde duas mulheres também foram feridas. 

Mais de 300 foguetes e granadas de morteiros foram disparados contra Israel nas duas primeiras horas do ataque, um fogo excepcionalmente pesado na região. Segundo o Exército israelense, mais de 70 deles foram interceptados pelo sistema de defesa Domo de Aço. Caças, helicópteros de ataque e tanques responderam, atingindo mais de 70 alvos em Gaza, matando ao menos três combatentes da Frente Popular pela Libertação da Palestina. 

As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) ordenaram a todos os morados do sul, incluindo das cidades de Ashdod e Beersheba, que permanecessem nos abrigos antibombas. Havia relatos de que algumas casas foram atingidas e moradores teriam se ferido em Netivot e Sderot, a cidade israelense mais próxima do norte de Gaza. As sirenes de alerta foram ouvidas até em Hebron, na região do Mar Morto. 

A escalada ocorreu horas após palestinos e israelenses enterrarem seus combatentes mortos na noite de domingo, no episódio descrito pela mídia como uma missão de inteligência israelense dentro da Faixa de Gaza que deu errado. Seis combatentes do Hamas, incluindo o comandante das forças na região de Khan Younis, e um membro dos Comitês de Resistência Popular, outra facção armada, foram mortos. Um tenente-coronel druso da unidade de elite da IDF foi morto na operação e homenageado hoje em seu funeral como um herói nacional. 

Hamas, o grupo que controla da Faixa de Gaza desde 2007, afirmou em um comunicado que estava colaborando com facções rivais, incluindo a Jihad Islâmica, os Comitês de Resistência Popular, e vários outros grupos armados, nos ataques contra Israel. Eles qualificaram os ataques de hoje de uma medida “calculada e cuidadosamente pensada” para responder ao incidente da noite anterior. Alertaram que a intensidade do fogo disparado de Gaza aumentará de acordo com a resposta israelense. 

Testemunhas disseram que caças israelenses bombardearam os estúdios da estação de TV do Hamas, a Al-Aqsa, e alguns prédios em volta. Moradores disseram ter deixado suas casas após receberem telefonemas de Israel avisando que a área que seria atacada. 

Operação

De acordo com um oficial israelense com conhecimento sobre a operação, a missão de domingo à noite era para ser de vigilância, não para promover um assassinato. A inteligência israelense frequentemente conduz esse tipo de operação, destinada à instalação de equipamento de vigilância. Pelo fato de que são extensivamente planejadas, são consideradas de baixo risco de exposição e confronto. 

Autoridades israelenses não ofereceram nenhuma explicação pública sobre a missão ou o que deu errado nela. “O objetivo da operação não era sequestrar ou matar membros do Hamas”, disse o tenente-coronel Jonathan Conricus, um porta-voz das forças israelenses. / NYT

Para lembrar 

Israel e Hamas travaram três guerras desde que o grupo islâmico tomou da Autoridade Palestina o controle da Faixa de Gaza, em 2007. No mais recente conflito, em 2014, cerca de 2,2 mil palestinos foram mortos, mais da metade deles era civil, e dezenas de milhares ficaram desabrigados. Do lado israelense, 73 pessoas morreram. Israel e Egito têm mantido um bloqueio a Gaza desde 2007, o que tem devastado a economia do território.

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