Palestinos criticam falta de liberdade de imprensa

Jornalistas palestinos denunciaram ontem, em debate no último dia do Seminário Internacional de Mídia sobre a Paz no Oriente Médio, promovido pela ONU, que seu trabalho em Israel e nos territórios palestinos é submetido a controles e restrições. Segundo eles, em alguns casos os três lados da disputa - o governo israelense, a Autoridade Palestina (na Cisjordânia) e o Hamas (na Faixa de Gaza) - intervêm. A repórter Helda Ereqat, da agência árabe Ma?an, contou que não pode entrar nem entrevistar autoridades da Knesset, o Parlamento israelense, porque nunca lhe concederam credenciais. "Já tentei várias vezes e não consegui", disse. Ela também é proibida de cobrir assuntos religiosos. "Não posso fotografar dentro da área do Muro das Lamentações", protestou. Na plateia, a jornalista israelense Ayala Hasson comentou que, apesar do impedimento de Helda, outros jornalistas palestinos têm acesso à Knesset. "Há repórteres da Al-Jazira no Parlamento", disse. O colunista Mohammad Saker Addullah, do diário em árabe Al-Quds, queixou-se da quantidade de controles . "O Hamas já proibiu nossa circulação em Gaza porque o criticamos", afirmou. "Pelo lado israelense, é terminantemente proibido tocar numa série de pontos." Segundo ele, tantas restrições atrapalharam a cobertura do último conflito, a invasão de dezembro à Faixa de Gaza.RESPONSABILIDADEDois jornalistas israelenses, Gidon Levy, do jornal Haaretz, e Yaakov Achimeir, âncora de uma emissora de TV, protagonizaram uma disputa particular sobre o papel da imprensa de Israel, sendo longamente aplaudidos após suas intervenções. Levy afirmou que a ocupação israelense dos territórios palestinos não teria durado tanto sem o "papel vergonhoso" da mídia israelense, que, segundo ele, apresenta os palestinos como "animais". "Somos todos parceiros do projeto de ocupação", acusou. Achimeir afirmou ser "judeu, depois israelense e, em terceiro plano, jornalista". "Antes de tudo - e ao contrário de outros -, quero primeiro o bem desse país (Israel)", afirmou.

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