Palestinos desafiam toques de recolher impostos por Israel

Centenas de palestinos desafiaram os toques de recolher impostos por Israel nas principais cidades palestinas e realizaram manifestações na véspera do segundo aniversário do levante contra o Estado judeu e do cerco cada vez mais restritivo na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Numa passeata na cidade de Ramallah, Cisjordânia, soldados israelenses lançaram bombas de gás lacrimogêneo e dispararam balas revestidas de borracha contra jovens que atiravam pedras, mas um grupo bem maior de manifestantes caminhava pacificamente tocando instrumentos de percussão e gritando frases anti-Israel.Enquanto o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat, continuava cercado por soldados israelenses no devastado quartel-general em Ramallah, Marwan Barghouti, um outro popular líder palestino, disse numa mensagem enviada a partir da prisão que a luta prosseguirá. "O terceiro ano do levante marcará o fim da ocupação", disse Barghouti numa mensagem escrita numa penitenciária israelense e divulgada pelos advogado. "Este é o ano no qual a ocupação se transformará num projeto de alto custo para os ocupantes em todos os aspectos."Apesar dos rígidos toques de recolher, cerca de 500 pessoas, algumas empunhando bandeiras palestinas, marcharam pela cidade cisjordaniana de Nablus e outras 200 saíram às ruas do campo de refugiados de Balata para comemorar o segundo aniversário do levante e manifestar apoio a Arafat. Centenas de pessoas também protestaram em Belém, uma das duas grandes cidades palestinas da Cisjordânia livres do cerco israelense.Facções palestinas informaram que manteriam os franco-atiradores longe das manifestações para marcar o aniversário da intifada. O clima era de festa em Ramallah, em contraste com o ambiente em protestos anteriores. Cerca de 600 manifestantes cantaram, tocaram instrumentos musicais e levaram os filhos. Na Faixa de Gaza, um garoto palestino de 15 anos foi ferido com gravidade na cabeça e três outros sofreram ferimentos depois de atirarem pedras e garrafas contra soldados do Estado judeu, disseram médicos.O Exército de Israel disse desconhecer a existência de feridos, mas afirmou que os comandados "atiraram para o ar" quando jovens palestinos soltaram rojões.O levante teve início em 28 de setembro de 2000, quando o então líder oposicionista e hoje primeiro-ministro Ariel Sharon visitou o local religioso mais disputado de Jerusalém: a Esplanada das Mesquitas, um local sacro conhecido pelos judeus como Monte do Templo e pelos muçulmanos como Haram as-Sharif. Em reação à visita, os protestos rapidamente se espalharam pela Cisjordânia e Faixa de Gaza.Homens armados no meio da multidão disparavam contra soldados israelenses. Dezenas de palestinos foram mortos pelo fogo israelense. O evento logo ficou conhecido como a segunda intifada, palavra de origem árabe que em português significa levante. A primeira revolta palestina ocorreu entre 1987 e 1993 e resultou no acordo provisório de paz negociado em Oslo por árabes e israelenses. A segunda onda de conflito já deixou mais de 2.500 mortos, sendo quase 1.900 no lado palestino e 620 no israelense."Creio que, dois anos após o início da intifada, as coisas ficaram piores", disse o ministro palestino da Informação, Yasser Abed Rabbo. "O governo israelense não tem demonstrado nenhuma vontade de reiniciar as negociações para o processo de paz."

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