Palestinos dizem que respeitarão trégua com Israel

As duas maiores facções palestinas disseram nesta terça-feira que respeitarão uma trégua, apesar do cruel assassinato de um chefe miliciano na Cisjordânia com a explosão de uma bomba atribuída a Israel. Mas os partidários do chefe morto, Raed Karmi, responderam à agressão na segunda-feira, horas após a explosão, matando um soldado israelense e ferindo um oficial que havia descido de seu carro blindado para interrogar dois palestinos em um posto de controle. Também na terça-feira, o cadáver de um homem israelense foi encontrado em um automóvel baleado no povoado palestino de Beit Sahour, disseram fontes palestinas. As versões iniciais indicam que o morto, que levava um passaporte estrangeiro, havia sido seqüestrado. O ministro da Defesa israelense, Binyamin Ben-Eliezer, disse hoje que Karmi morreu em um "acidente de trabalho", sugerindo que ele mesmo havia se matado manipulando explosivos. Mas Ben-Eliezer acrescentou que Israel tinha o direito moral de matar o chefe miliciano que, segundo disse, planejava novos ataques para os próximos dias. A imprensa israelense se referiu à morte de Karmi como uma "eliminação seletiva", e o respeitado diário Haaretz atribuiu a funcionários da Defesa que não identificou ter dito que Israel o matou. Karmi, de 27 anos, era o chefe das Brigadas al Aqsa, uma milícia vinculada ao movimento Fatah do chefe palestino Yasser Arafat na cidade de Tulkarem, na Cisjordânia. Gabava-se de ter matado dois proprietários de um restaurante em Tel Aviv, enquanto Israel atribui a ele o assassinato de nove israelenses. Em setembro, Karmi sobreviveu a um ataque israelense com projéteis contra seu automóvel, no qual morreram outras duas pessoas. Nesta terça-feira, no cortejo fúnebre do chefe miliciano cerca de 5.000 pessoas desfilaram pelas ruas de Tulkarem e dezenas delas dispararam para o ar. Em reação às advertências de possíveis represálias, Israel voltou a bloquear Tulkarem não permitindo que os palestinos entrem ou saiam da cidade, a apenas 20 km da costa mediterrânea israelense. Os novos episódios de violência jogaram por terra os esforços dos mediadores americanos e não estava claro se o enviado americano, Anthony Zinni, regressará à região esta semana, como estava previsto. Salman Shoval, ex-embaixador dos EUA, disse à rádio do Exército que a missão será adiada, mas tal versão não foi confirmada.

Agencia Estado,

15 Janeiro 2002 | 15h37

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