Palestinos dizem que Sharon quer expulsar Arafat para o Egito

Dirigentes palestinos que estiveram com o francês José Bové e uma delegação internacional, em Ramallah, revelaram que o primeiro-ministro Ariel Sharon planeja expulsar Yasser Arafat para o Egito.As autoridades israelenses não escondem sua preocupação com o destino do dirigente palestino, convencidas de que ele não poderá ser mantido muito tempo sitiado em Ramallah, sem que se desenvolva, em todo o mundo, uma forte campanha internacional por sua libertação.Nesta segunda-feira, até o chanceler de Israel, o trabalhista Shimon Peres, solicitou que as condições do bloqueio de Arafat sejam aliviadas, criticando a decisão do próprio governo. Em Paris, diplomatas do Quay D´Orsay revelavam que a meta de Sharon é enfraquecer ao máximo Arafat para favorecer a emergência de outras lideranças palestinas dispostas a admitir "concessões dolorosas".Dessa forma, após tê-lo designado como "inimigo", Sharon pretende descartar rapidamente Arafat, buscando novos interlocutores. O cenário da expulsão para o Egito chegou a ser evocado ainda nesta segunda-feira pela Rádio do Exército Israelense e poderia ser aplicado rapidamente, desde que os chefes do Shin Bet, o serviço de segurança interna de Israel, e o Mossad suspendessem sua oposição a essa solução.Nesses serviços se encontram os principais adversários da expulsão de Arafat, pois isso lhe daria novamente grande mobilidade e aumentaria sua capacidade de articulação política, principalmente na Europa, segundo raciocinam.Por enquanto, os verdadeiros objetivos da atual operação permanecem ainda nebulosos, mesmo para alguns ministros do gabinete de Arafat. Isso explica o receio manifestado por Peres, que teme ser posto novamente diante de fatos consumados como já ocorreu no passado."Em 1982, quando liderava a oposição, dei meu aval a uma operação no Líbano, que a princípio deveria durar quatro dias e não poderia se estender a mais de 40 quilômetros no interior desse país. Todo mundo sabe o que ocorreu."

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