Palestinos e Israel impõem condições para diálogo de paz

Premiê de Israel quer aval de gabinete antes de encontro nos EUA; em Ramallah, busca é por negociar fronteiras anteriores a 1967

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2013 | 02h09

Israelenses e palestinos minimizaram ontem a possibilidade de seus representantes se encontrarem em Washington em breve, contrariando a expectativa do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, que previu uma reunião para retomar as negociações de paz, paralisadas desde 2010, ainda esta semana "ou pouco depois".

A Casa Branca afirmou que a esperança de que as conversas recomecem continua um "enorme desafio". Os palestinos disseram ontem que não concordarão em retomar as negociações a não ser que fique claro, antecipadamente, que o diálogo será sobre a criação de um Estado com base nas fronteiras anteriores a 1967 - quando Israel ocupou territórios palestinos após a Guerra dos Seis Dias.

Já o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou ontem que qualquer decisão tomada durante uma eventual retomada das negociações com os palestinos deverá ser referendada por uma votação nacional.

Apoio interno. Pesquisas de opinião indicam que a maioria dos moradores de Israel é a favor do estabelecimento de um Estado palestino que faça fronteira com território israelense - apesar da oposição veemente de alguns setores da sociedade, como os colonos que vivem nos assentamentos judaicos na Cisjordânia.

Um funcionário do governo israelense afirmou que Netanyahu buscará aprovação de seu gabinete antes de enviar qualquer representante para negociar com os palestinos nos EUA.

Na sexta-feira, o chefe da diplomacia americana declarou que a ministra de Justiça israelense, Tzipi Livni, se encontraria com o negociador palestino Saeb Erekat em Washington "para começar conversas iniciais". Um membro do governo israelense disse, entretanto, que "as negociações vão começar somente na semana que vem, e não nesta semana (conforme havia anunciado Kerry)".

"Estamos trabalhando em uma data para as partes virem a Washington nas próximas semanas, para dar andamento a esse processo. Isso é um enorme desafio e tem sido um enorme desafio para israelenses e palestinos - e para os sucessivos governos dos Estados Unidos", declarou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. / REUTERS e AP

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