Palestinos e Israel rumam para uma perigosa paralisia

Análise: Karin Laub, Associated Press

O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2011 | 03h05

Com discursos aguerridos na ONU, os líderes palestino e israelense entrincheiraram-se em posições que aparentemente impedirão a retomada das conversações de paz e abrem uma temporada de confrontos sobre a questão do Estado palestino. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, agora procurará conseguir todo o apoio internacional possível, afirmam assessores, na esperança de pressionar e isolar Israel e aumentar o custo político da preservação dos territórios que este ocupou na guerra de 1967.

Abbas insiste que não voltará às conversações se Israel não decretar um congelamento dos assentamentos ou não aceitar as fronteiras anteriores a 1967 como ponto de partida. Apesar de o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, pedir novas negociações, não se mostrou disposto a considerar tais reivindicações.

Os mediadores internacionais pediram a conclusão de um acordo em um ano, mas não apresentaram propostas para tentar resolver as enormes divergências.

Os palestinos agora tentarão fortalecer sua posição, principalmente na ONU. Embora o pedido de reconhecimento do Estado palestino com certeza não deva ser atendido os palestinos têm boas chances de melhorar seu status na Assembleia-Geral e garantir o acesso às agências da ONU e aos tribunais internacionais.

As autoridades palestinas admitiram que não têm um plano para seguir em frente, além de pedir à Assembleia-Geral que admita a Palestina como Estado não membro se sua adesão plena for rejeitada pelo CS. Abbas não disse como lidará com seus rivais do Hamas, que criticaram seu pedido de reconhecimento na ONU. Um acordo de divisão do poder com o Hamas não foi adiante. Retomar uma aliança com os militantes, que querem a destruição de Israel, poderia custar ao líder palestino a perda do apoio internacional em um momento crucial.

Por enquanto, a opções de Netanyahu para responder à pressão parecem limitadas. Os membros de sua coalizão exigem medidas punitivas. Mas a retaliação poderá ser contraproducente e provocar maior simpatia internacional pelos palestinos.

A região agora caminha para um perigoso ano de paralisia, segundo o analista israelense Yossi Alpher. "Barack Obama deixou claro que no próximo ano não deverá promover ativamente as conversações de paz. Netanyahu não tem nada de novo para oferecer e Abbas obterá algum tipo de reconhecimento de um Estado, mas isso não é um Estado". / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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