Palestinos e israelenses aguardam enviado dos EUA

Israelenses e palestinos preparavam-se nesta terça-feira para conversar com o recém-indicado enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, um general da reserva da Marinha que deverá pressionar ambos os lados a pararem com mais de um ano de confrontos. Anthony Zinni dá seus primeiros passos numa disputa centenária que há 14 meses explodiu na forma de uma onda de violência que persistiu em meio a sucessivos esforços de cessar-fogo por parte dos EUA. Ele deverá chegar acompanhado do subsecretário de Estado, William Burns, no início da próxima semana, informaram funcionários palestinos e israelenses. Há alguma expectativa de que Zinni, um militar de carreira com vasta experiência na região, seja mais eficiente do que outros mediadores enviados antes. Zinni deverá aproveitar-se de sua condição de ex-general para discutir estratégia com Sharon, também um militar retirado, enquanto conversará com Arafat em seu próprio idioma. Na manhã desta terça-feira, forças israelenses invadiram um campo de refugiados palestinos na Faixa de Gaza e destruíram quatro casas antes de recuarem, disseram militares e testemunhas. Segundo o Exército, duas construções abandonadas foram demolidas devido aos freqüentes ataques de franco-atiradores. Os palestinos alegam que a demolição foi levada adiante sem que houvesse provocação. Uma das casas pertencia a Nazmia Abu Jazar, de 35 anos, mãe de oito filhos. "Aonde irei agora com meus filhos?", pergunta ela. As forças israelenses também permaneciam na entrada da cidade cisjordaniana de Jenin, apesar dos repetidos apelos norte-americanos para que Israel retire seus soldados das áreas palestinas. Em quase 14 meses de conflito, 758 pessoas morreram no lado palestino, e 197 perderam a vida no lado israelense. O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, anunciou a escolha de Zinni como enviado especial durante um discurso proferido nesta segunda-feira, no qual o tema principal foi a política norte-americana com relação ao Oriente Médio. Como principal comandante militar dos Estados Unidos na região durante a década de 90, Zinni viajou pelo Oriente Médio e estudou árabe durante quatro anos. Aos 58 anos, este general da reserva parece um ex-marinheiro. Ele prefere uma atuação pragmática, dizem pessoas que estiveram ao lado dele enquanto negociava disputas internacionais, como o conflito entre Etiópia e Eritréia. Ambos os lados estão indicando equipes de alto nível para conversar com os enviados norte-americanos. O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse que ele e seu chanceler, Shimon Peres, chefiarão a comitiva israelense nas conversações para a implementação de um cessar-fogo que foi negociado em junho pelo diretor da CIA, George Tenet, mas que nunca entrou em vigor. O negociador palestino Ahmed Qureia disse que os principais líderes de Autoridade Palestina, inclusive o presidente Yasser Arafat, supervisionariam as negociações.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.