Palestinos e israelenses retomam acusações

"Arafat é um assassino, um mentiroso patológico", disse o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon. Os palestinos responderam, afirmando que "Sharon é um criminoso de guerra", numa troca de acusações que parecia ser coisa do passado no Oriente Médio.A intifada, a mão de ferro de Israel e os atentados suicidas desenterraram a campanha de acusações mútuas que israelenses e palestinos usavam até oito anos atrás, antes dos acordos de Oslo, de 1993.Na noite desta terça-feira, numa entrevista à tevê russa NTV, Sharon ressucitou o slogan que a direita israelense usou desde o fim da década de 60 até o começo dos anos 90: Arafat é um mentiroso que quer apenas destruir Israel.E se realmente, como esperam americanos e europeus, Sharon e Arafat se encontrarem para retomar as negociações de paz, o premier israelense poderia - como deu nesta quarta-feira a entender um de seus assessores - não apertar a mão do líder palestino.Ele já fez isso em outubro de 1997, quando era ministro do governo de Benjamin Netanyahu, durante as negociações de Wye River, nos EUA.E se Arafat é para Sharon e a direita israelense apenas um "assassino", para os palestinos o premier israelense continua sendo o "criminoso de guerra" responsável pelo massacre em 1982 de refugiados palestinos em Sabra e Chatila (no Líbano), e pela matança de civis em Qibya (Cisjordânia) nos anos 50, e em Gaza nos anos 70.Grupos árabes lançaram inclusive uma campanha para que Sharon seja condenado internacionalmente como criminoso de guerra.Enquanto isso, o ministro do Exterior israelense, Shimon Peres, censurou Sharon. "Se definirmos Arafat como um assassino e mentiroso, como faremos para negociar com ele?", advertiu.

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