Palestinos e israelenses se reúnem com a CIA

Chefes do setor de segurança da Autoridade Palestina (AP) e de Israel reuniram-se nesta segunda-feira à noite com o diretor da Agência Central de Inteligência norte-americana (CIA), George Tenet, para manifestar seu apoio "com reservas" à proposta dos Estados Unidos para um cessar-fogo e reinício das negociações de paz.Os israelenses exigem, primeiro, o fim dos ataques de palestinos, enquanto a AP quer que a trégua inclua a interrupção de construções nas colônias judaicas nos territórios ocupados por Israel em 1967. O encontro ocorreu em meio à comoção em Israel pela morte do bebê Yehuda Shonan, de cinco meses, que havia sido gravemente ferido por ativistas palestinos uma semana antes. O menino foi atingido por uma pedrada quando o carro em que viajava com os pais - naturais dos EUA - se dirigia ao assentamento judaico de Shilo, na Cisjordânia, onde a família vive. Mais de mil colonos iniciaram uma marcha de protesto antes do funeral até o gabinete do primeiro-ministro Ariel Sharon, em Jerusalém. Sharon apareceu diante da multidão, que pedia vingança, e expressou seu pesar. "Vá à guerra", gritavam várias pessoas. Um homem chamou-o de covarde e foi contido por policiais e outros colonos. Enquanto isso, a AP responsabilizou Israel pela explosão do carro de Imad Abu Diab, dirigente do grupo Jihad Islâmica, promotor de vários atentados. O veículo explodiu perto de Tulkarem, na Cisjordânia, e ele teve morte cerebral declarada pelos médicos. Ainda nesta segunda-feira, morreu um agente de segurança palestino ferido no mesmo dia em que o bebê israelense. Naseem el-Agha teve sua morte clínica declarada há cinco dias, pouco depois de uma bala de aço revestida de borracha atirada por um soldado israelense ter fraturado seu crânio. Seu corpo deverá ser trasladado nesta terça-feira a Gaza. As duas mortes desta segunda e os assassinatos de sábado à noite, quando três mulheres palestinas morreram após um ataque de tanques israelenses contra suas cabanas, ocorreram após quase uma semana sem nenhum incidente fatal - caso raro desde o início da atual onda de violência, em 28 de setembro de 2000. Desde aquele dia, foram assassinados 489 palestinos e 109 israelenses.

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