Palestinos escapam de tentativa israelense de "assassinato seletivo"

Um grupo de supostos militantes palestinos escapou por pouco de um ataque de mísseis promovido por Israel contra o carro no qual viajavam na cidade de Gaza neste domingo, disseram testemunhas. Eles pularam do veículo poucos segundos antes de os mísseis o transformarem num monte de metal retorcido. O grupo extremista Jihad Islâmica informou que três militantes ficaram feridos na ação, inclusive Shadi Muhana, um líder da facção. O Exército de Israel preferiu não comentar o incidente. "Deus salvou a vida de três de nossos combatentes e esta é mais uma prova de que Deus apóia a guerra santa contra a ocupação", disse o porta-voz do grupo, Khaled Batash. Durante os mais de dois anos e três meses de conflito, Israel matou dezenas de suspeitos em operações batizadas como "assassinatos seletivos", promovidas sob a alegação de "conter ataques terroristas". Grupos de direitos humanos denunciam as ações como execuções sumárias, sem o devido trâmite de processos judiciais contra os suspeitos. Os passageiros do carro perceberam a presença dos helicópteros israelenses nos arredores e conseguiram abandonar o carro antes de ele ser atingido, disseram testemunhas. Amina Daalasa, de 55 anos, contou ter visto dois mísseis atingirem o veículo. Um terceiro míssil errou o alvo, atingindo a estrada. Também na Faixa de Gaza, soldados israelenses mataram um homem e deixaram outro soterrado nos escombros de uma das três casas demolidas numa operação na noite de sábado. As forças israelenses, apoiadas por três tanques, entraram na cidade de Beit Lahiya, 5 quilômetros ao norte da cidade de Gaza, disparando com metralhadoras e destruindo o transformador de eletricidade da cidade. No tiroteio com palestinos, que durou cerca de três horas, uma pessoa foi baleada na janela de casa, segundo testemunhas. A outra vítima era um homem de 70 anos, que não conseguiu fugir e morreu sob os escombros da casa destruída. Segundo o exército israelense, a casa pertencia a Hisham Dab, um militante suicida que matou 20 pessoas em Tel Aviv, em março de 1996. Um porta-voz comentou que os soldados têm o hábito de pedir a todos os moradores que se retirem antes das demolições. Enquanto isso, dois ministros do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, Tsaji Hanegbi e Uzi Landau, disseram hoje que "jamais haverá um Estado palestino em Israel". O desmentido ocorreu depois que o embaixador Iehuda Lancri afirmou diante da Assembléia Geral da ONU, na sexta-feira, que aceita a visão de "dois Estados (israelense e palestino) convivendo lado a lado em paz e segurança".

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