Palestinos fazem doações ao Hamas

Centenas de palestinos que apóiam o Hamas foram às ruas nesta sexta-feira para doar dinheiro e jóias ao governo enquanto o boicote ocidental ao grupo acirra o debate interno sobre a aceitação do Estado de Israel. Em um ato de solidariedade, cerca de 5 mil palestinos se reuniram na cidade de Nablus, na Cisjordânia, para fazer contribuições pessoais ao governo. Várias mulheres colocaram suas jóias em uma bandeja coletora. Um grupo de homens da Brigada de Mártires Al Aqsa, filiada à Fatah, dispararam com seus rifles para o ar antes de doas US$ 22 à causa. As doações eram angariadas por megafone e alguns afirmaram ter doado seu salário inteiro. "Estas doações são nossa maneira de dizer ao mundo que podemos viver sem eles, e nossas crianças estão pagando pelo que os europeus deveriam estar pagando", disse o ex-prefeito de Nablus, Bassam al-Shaqaa.O governo do Hamas está sob intensa pressão econômica desde que tomou posse em março. Israel bloqueou a transferência de US$55 milhões em impostos aos palestinos e os Estados Unidos e a União Européia (UE) congelaram centenas de milhares de dólares em ajuda financeira. Sem o dinheiro, a Autoridade Palestina (AP) não conseguiu pagar os salários de seus 165 mil funcionários nos últimos dois meses e tem problemas para comprar remédios e outros bens essenciais. Um Teleton simultâneo, veiculado pela rede de TV local, recebeu contribuições até do Qatar e da Arábia Saudita.Oficiais não informaram a quantidade de dinheiro coletada, mas ela foi no máximo uma pequena fração das dezenas de milhares de dólares que o governo precisa urgentemente.O boicote internacional apenas fortaleceu a liderança do Hamas.Preocupados com o agravamento da situação humanitária do país, doadores do Ocidente concordaram esta semana em enviar novamente alguma ajuda aos palestinos, mas disseram que as doações não chegarão ao governo do Hamas.Reconhecimento de IsraelEnquanto isso, líderes do Hamas discutem se devem ou não aceitar a existência do Estado de Israel para tentar aliviá-los da crise econômica, informou um membro moderado do grupo que falou sob condição de anonimato.Muitos líderes do Hamas são a favor do reconhecimento, mas o ministro do Exterior, Mahmoud Zahar, e o líder máximo, Khaled Mashaal, se recusaram. Mashaal disse em uma conferência em Doha, no Qatar, que os palestinos devem se unir sob uma plataforma de "liberação da Palestina", e não apoiar o reconhecimento de Israel. Para Mashaal, os palestinos devem adotar o caminho da Jihad e da resistência. O reconhecimento de Israel seria uma grande mudança para o Hamas, que pede a substituição do Estado judeu por um Estado islâmico.O debate interno do Hamas é parte de um processo de moderação que inclui a decisão do grupo de se aliar a outros políticos palestinos ao concorrer nas eleições parlamentares de janeiro, disse o autor de um livro sobre o Hamas, Moheeb al-Nawaty. Contudo, a pressão internacional tornou difícil movimentos mais profundos no sentido da moderação, disse o autor. Independente de quem vença o debate, é improvável que algo além do explícito reconhecimento de Israel irá persuadir os EUA e a UE a restaurar as relações com o governo palestino.

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