Palestinos fizeram grandes concessões a Israel, segundo rede 'Al Jazeera'

Documentos datam de 1999 até os dias de hoje e revelam detalhes das negociações de paz

Efe

24 de janeiro de 2011 | 14h36

CAIRO - Os negociadores palestinos ofereceram a Israel grandes concessões, como lugares estratégicos de Jerusalém Oriental, durante as negociações de paz de 2008, segundo documentos confidenciais divulgados pela rede de televisão catariana "Al Jazeera".

 

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A emissora começou a divulgar ontem à noite partes de cerca de 1,7 mil documentos aos quais teve acesso, datados de 1999 até 2010, que revelam detalhes sobre as conversas de paz entre palestinos e israelenses.

 

"Este volumoso material proporciona um olhar sem precedentes sobre as negociações de alto nível nas quais estavam envolvidos americanos, israelenses e representantes da Autoridade (Nacional) Palestina", disse a "Al Jazeera".

 

Um dos temas abordados nos documentos, apresentado na informação como "A maior Yerushalayim", em referência ao nome hebraico de Jerusalém, se refere a enclaves dessa cidade negociados por israelenses e palestinos.

 

Em reuniões de junho de 2008, os negociadores palestinos chegaram a oferecer que Israel ficasse com os setores de Jerusalém Oriental que ocupou desde a guerra de 1967 em troca de o governo hebraico conceder outras partes do território israelense.

 

A negociação incluiu a possibilidade de um dos setores mais conflituosos, onde se encontra a Mesquita de al-Aqsa, construída sobre um templo judeu, ficar sob supervisão internacional até que se chegasse a uma solução permanente.

 

"Esta é a primeira vez na história que fazemos tal proposta", afirmou em uma das reuniões Ahmed Qorei, um dos negociadores palestinos.

 

"Os estamos oferecendo a maior Yerushalayim na história judia", disse, por sua vez, o chefe da equipe negociadora palestina, Saeb Erekat, de acordo com os documentos filtrados pela "Al Jazeera".

 

Nessa reunião específica, realizada em 15 de junho de 2008, participaram também a então secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e a ministra de Relações Exteriores de Israel na época, Tzipi Livni.

 

Em outra reunião realizada no dia 21 de outubro de 2009 entre Erekat e representantes americanos, entre eles o enviado especial da Casa Branca, George Mitchell, o negociador palestino pediu a Washington "soluções criativas" para poder dividir Jerusalém.

 

"A soberania da velha cidade para a Palestina, exceto o bairro judaico e parte do bairro armênio, El Haram (onde se encontra a mesquita al-Aqsa), pode ser deixada para discussões posteriores, com meios criativos. O que não posso fazer é me converter ao sionismo", acrescentou o dirigente palestino Erekat.

 

Aparentemente, segundo a rede catariana, os palestinos também aceitaram uma proposta israelense para receber anualmente em seu território 10 mil refugiados palestinos - mais de 5 milhões e que estão concentrados em sua maioria em países vizinhos.

 

Em declarações posteriores à "Al Jazeera", Erekat questionou os chamados "Documentos Palestinos", e disse que se baseiam em "mentiras e meias verdades".

 

As negociações de paz de então foram interrompidas quando em dezembro de 2008 Israel lançou a "Operação Chumbo Fundido" contra a faixa palestina de Gaza, controlada pelo movimento Hamas, que deixou mais de 1,4 mil palestinos mortos, em sua maioria civis.

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