REUTERS/Abed Omar Qusini
REUTERS/Abed Omar Qusini

Palestinos incendeiam local sagrado para judeus na Cisjordânia

O denominado túmulo do patriarca José é venerado há séculos por cristãos, judeus e muçulmanos; o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, condenou o ataque

O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2015 | 12h54

JERUSALÉM - Um grupo de palestinos ateou fogo na madrugada desta sexta-feira, 14, ao túmulo de José, em Nablus, no norte do território palestino ocupado da Cisjordânia, informou o Exército israelense.

"Ao longo da noite, dezenas de palestinos atearam fogo ao túmulo de José, em Nablus. Forças palestinas chegaram ao local, apagaram o fogo e dispersaram aos incendiários. O Exército israelense fará os reparos necessários para permitir que os fiéis visitem o local sagrado", informa um comunicado militar.

O porta-voz do Exército, Peter Lerner, acrescentou no escrito: "A queima e profanação do túmulo de José ontem à noite é uma flagrante violação e uma contradição do valor básico da liberdade de culto".

"As Forças de Defesa de Israel tomarão todas as medidas para levar os autores deste ato desprezível à Justiça, restaurar o local a sua condição prévia e garantir que a liberdade de culto seja restabelecida no lugar", acrescentou. 

O denominado túmulo do patriarca José é venerado há séculos por cristãos, judeus e muçulmanos. O Exército israelense se retirou do local no começo da Segunda Intifada, em setembro 2000, que desde então ficou nas mãos da Autoridade Palestina (AP). O mausoléu fica na "Zona A", onde a ANP tem pleno controle administrativo e de segurança, de acordo com a divisão territorial estabelecida nos Acordos de Oslo de 1993.

No entanto, o Exército israelense supervisiona em coordenação com a AP o acesso de fiéis judeus para rezar no local onde se venera o patriarca bíblico mencionado no Antigo Testamento, visitas consideradas por muitos palestinos como uma provocação e um sinal que querem assumir o lugar. 

Segundo o jornal Haaretz, o ataque aconteceu quando centenas de jovens palestinos chegaram perto do complexo e jogaram coquetéis molotov nele, além de entrar no túmulo para colocar materiais inflamáveis. 

O presidente da AP, Mahmoud Abbas, condeou o ataque e chamou o ato de "irresponsável", segundo a agência oficial Wafa. Abbas "decidiu formar imediatamente uma comissão de investigação sobre o ato irresponsável cometido esta manhã no túmulo de José, e para reparar os danos causados por este gesto deplorável", afirma a agência. / EFE e AFP

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