Palestinos pedem ajuda do Brasil para reconhecimento na ONU

Reivindicação será feita durante visita do chanceler brasileiro Antonio Patriota ao Oriente Médio na semana que vem.

Guila Flint, BBC

11 de outubro de 2012 | 08h24

Às vésperas da visita do chanceler brasileiro Antonio Patriota ao Oriente Médio, o principal negociador palestino, Saeb Erekat, pediu que o Brasil ajude os palestinos a obter reconhecimento como Estado não-membro das Nações Unidas.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, deverá visitar Israel no próximo domingo (14) e na segunda feira (15) irá aos territórios palestinos, em sua primeira visita à região desde que assumiu o cargo.

"Esta visita é de extrema importância para nós, palestinos" disse Saeb Erekat à BBC Brasil, "principalmente, neste momento em que estamos nos preparando para pedir o reconhecimento da Assembleia Geral da ONU".

No ano passado, já houve uma tentativa por parte do presidente palestino, Mahmoud Abbas, de obter o reconhecimento da ONU, por intermédio de um pedido dirigido ao Conselho de Segurança.

No entanto, a reivindicação de reconhecimento como membro pleno das Nações Unidas fracassou por causa do veto americano.

Em novembro deste ano, os palestinos pretendem se dirigir à Assembleia Geral, na qual os Estados Unidos não têm direito de veto, e pedir um reconhecimento parcial, como Estado não-membro.

Com esse tipo de status, os palestinos terão acesso a várias agências das Nações Unidas e ao Tribunal Penal Internacional.

De acordo com Erekat, o novo status servirá como meio para "salvar a solução de dois Estados".

"O governo israelense tem feito todos os esforços para destruir a solução de dois Estados, ampliando os assentamentos e criando uma realidade de apartheid", disse o negociador palestino, "Esperamos que o Brasil apoie nossa iniciativa e também exerça sua influencia, como líder regional, para que outros países da América do Sul a apoiem", acrescentou.

A embaixadora Ligia Maria Scherer, chefe do escritório de Representação do Brasil na Autoridade Nacional Palestina, reiterou o apoio do Brasil à admissão do Estado Palestino como "membro pleno" da ONU, conforme o discurso da presidente Dilma Rousseff na Assembleia Geral da ONU em setembro.

Durante a visita a Ramallah, o chanceler brasileiro deverá se encontrar com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, com o chanceler Riyad Al Malki, com o primeiro-ministro Salam Fayyad além de Erekat.

Em Israel, Patriota também deverá se reunir com os principais líderes do país: o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, o presidente, Shimon Peres, e o chanceler, Avigdor Lieberman.

De acordo com o porta-voz do ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, durante a visita, "serão discutidos assuntos bilaterais e regionais".

Para a embaixadora do Brasil em Israel, Maria Elisa Berenguer, "o relacionamento Brasil-Israel vem se intensificando cada vez mais, principalmente, desde a visita do presidente Lula ao país, em março de 2010".

A embaixadora disse à BBC Brasil que "o diálogo politico sobre as questões regionais é parte importante de nossa relação bilateral".

"Nesse contexto, estamos preocupados com a falta de progresso nas negociações entre Israel e Palestina porque acreditamos que uma solução para essa questão é essencial para o bem-estar de ambos os povos", acrescentou. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.