Palestinos prendem 110 militantes islâmicos

O primeiro-ministro israelense Ariel Sharon e o gabinete de ministros realizaram hoje uma reunião de emergência para decidir que tipo de resposta Israel dará aos ataques suicidas promovidos no fim de semana por militantes palestinos. Enquanto isso, forças da segurança palestina de Yasser Arafat prenderam 110 ativistas dos grupos Hamas e Jihad Islâmica na maior operação contra terrorismo dos últimos cinco anos.Entre os presos estão líderes do Hamas na Faixa de Gaza, como Ismail Hanieh e Ismail Abu Shanab. O líder espiritual do grupo, Ahmed Yassin, está em prisão domiciliar e foi proibido de falar com repórteres, informaram seguranças palestinos sob a condição de anonimato. A família de Yassin, entretanto, negou qualquer restrição à liberdade do líder.Na Cisjordânia, as tropas israelenses estão bloqueando a passagem de palestinos de e para áreas sob jurisdição do Estado judeu. Num dos postos de controle israelenses, entre as cidades de Jerusalém e Ramallah, soldados jogaram gás lacrimogêneo e atiraram balas de borracha para afastar 150 palestinos que tentavam furar a barreira, informaram paramédicos.Em Hebron, a polícia israelense prendeu 20 palestinos suspeitos de participarem de grupos militantes. Ao longo dos últimos 14 meses, Israel tem insistido que Arafat prenda militantes que mataram mais de 230 israelenses em ataques a bomba. No mesmo período, mais de 780 palestinos foram assassinados. Funcionários da Autoridade Palestina afirmaram que não vão reprimir seu próprio povo quando Israel está matando dezenas de palestinos. Entretanto, os ataques deste fim de semana colocaram os palestinos numa situação difícil, segundo o ministro do Planejamento palestino, Nabil Shaath em entrevista à rádio Voz da Palestina. ?Vivemos num mundo ocupado com a guerra no Afeganistão e com o terror internacional e precisamos continuar tentando integrar a comunidade internacional ou ficaremos isolados?, disse.Na Cidade de Gaza, ativistas do Hamas ameaçaram promover novos ataques e pediram que a Autoridade Palestina pare com as prisões. ?A resistência e a guerra santa não vão parar?, gritavam pelo menos 1000 simpatizantes do Hamas no funeral de um ativista do grupo morto no domingo.Sharon está sob uma crescente pressão dos israelenses, especialmente de seu partido, o Likud, para expulsar Arafat e há um grande ceticismo sobre a operação de prisão de terroristas. A Rádio Israel, citando assessores de Sharon, disse que Israel deverá promover uma retaliação pesada, capaz de desestruturar a Autoridade Palestina. O primeiro-ministro chegou a Israel esta manhã, após uma rápida visita aos EUA, que foi encurtada ainda mais devido aos ataques deste fim de semana que deixaram 26 mortos e pelo menos 200 feridos, a maioria israelenses, num período de 12 horas. Nos EUA, Sharon se encontrou com o presidente George W. Bush.Na nova onda de violência, um palestino foi morto durante troca de tiros entre tropas israelenses em Tulkarem, no sábado, e um fazendeiro palestino foi morto hoje enquanto caminhava em suas terras. Os militares israelenses disseram que atiraram num homem suspeito de estar instalando uma bomba.Shoppings e mercados de Israel estão sob vigilância, pois há temor de novos atentados. Em Haifa, onde 15 passageiros e pedestres foram mortos no domingo na explosão de um ônibus, policiais femininas fazem o patrulhamento das áreas residenciais. ?Estamos em guerra?, diz uma manchete do diário Yediot Ahronot, acompanhada de duas fotos das vítimas. Outro diário israelense, o Maariv afirma num editorial de primeira página, que ?Israel deve promover uma ofensiva que destrua o terror palestino... e Arafat deve pagar pessoalmente o preço? da violência. Uma pesquisa publicada no Yediot mostra que 37% dos israelenses querem que o governo derrube Arafat, enquanto 32% esperam uma aceleração das negociações de paz sem que seja aguardado um cessar-fogo. A pesquisa, feita pelo instituto Dahaf, ouviu 502 pessoas e tem uma margem de erro de 4,3%.

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