Palestinos procuram pertences sob escombros em Jenin

Nos últimos 10 dias, Yehia al-Hindi tem ido ao local onde um dia ficava a sua casa. Com uma pequena pá, ele começa sua rotina diária de oito horas de escavações em meio aos escombros. Até agora, diz ele, seu trabalho rendeu um passaporte, um álbum de família, os atestados de óbito de seus pais e várias peças de roupas de seus filhos.Ainda não há a menor pista do que al-Hindi vem realmente procurando: as economias de uma vida inteira, 12.000 dinares jordanianos (cerca de US$ 15.000) e as jóias de sua mulher. Mesmo assim, nada impedirá que o palestino continue buscando."Não posso dormir", afirma al-Hindi, que é funileiro de profissão. "Meus filhos têm pesadelos, não conseguem entender por quê nossa casa desapareceu e não param de me perguntar quando retornaremos ao nosso lar...Eles não têm brinquedos, mochilas escolares, livros nem uniformes", diz o palestino.O pesadelo da família al-Hindi começou quando o exército de Israel atacou o campo de refugiados de Jenin por oito dias, deixando um rastro de destruição e morte. Os conflitos com palestinos armados - que incluiram a derrubada de dezenas de casas e construções e a morte de um número ainda desconhecido de civis - terminou em 11 de abril.Al-Hindi, de 42 anos, a mulher e quatro filhos resistiram aos israelenses durante cinco dias, mas foram obrigados a abandonar sua casa quando as construções vizinhas começaram a ser destruídas pelos buldôzeres do Estado judeu.Até uma semana atrás, al-Hindi era um dos muitos palestinos que vasculhavam escombros à procura de seus pertences. Agora, ele é apenas um dos poucos a continuarem cavando com determinação - ou desespero. "Simplesmente não posso acreditar que isso aconteceu comigo e com minha casa", afirmou.

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