EFE/EPA/ABED AL HASHLAMOUN
EFE/EPA/ABED AL HASHLAMOUN

Palestinos protestam contra acordos de normalização entre Israel e países árabes

Reaproximação diplomática é traição, afirmam manifestantes; líder da Autoridade Palestina afirmou que 'não haverá paz sem o fim da ocupação'

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2020 | 14h59
Atualizado 15 de setembro de 2020 | 19h24

RAMALLAH - Centenas de manifestantes protestaram nesta terça-feira, 15, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza contra os acordos assinados pelos Emirados Árabes Unidos e Bahrein com Israel para normalizar suas relações. A negociação foi considerada pelos palestinos uma "traição" à causa. 

Agitando bandeiras palestinas, os manifestantes, a maioria usando máscaras para se proteger do coronavírus, se concentraram nas cidades de Nablus e Hebron, no norte e no sul da Cisjordânia, e na Cidade de Gaza. Uma manifestação também estava planejada em Ramallah, sede da Autoridade Palestina na Cisjordânia. 

Frases como "Não à normalização da ocupação israelense", "Os acordos da vergonha" e "Traição" podiam ser lidas nos cartazes. Em Gaza, os manifestantes pisotearam e incendiaram pôsteres com a imagem do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, o rei do Bahrein, Hamad bin Isa Al Khalifa, e o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohamed bin Zayed al Nahyan.

"Dizemos ao regime do Bahrein e aos Emirados que essa normalização é uma traição total à causa palestina e às esperanças da nação árabe", disse Ahmad al Medalal, líder da Jihad Islâmica em Gaza. 

No passado, a resolução do conflito israelo-palestino era considerada uma condição indispensável para a normalização das relações entre os países árabes e Israel, que ocupou os territórios palestinos da Cisjordânia e Jerusalém Oriental por mais de 50 anos. 

O líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou nesta terça-feira que não haverá "paz" no Oriente Médio enquanto durar a "ocupação" israelense dos territórios palestinos.

"Não haverá paz, segurança ou estabilidade para ninguém na região sem o fim da ocupação e (sem) respeito pelos plenos direitos do povo palestino", disse em nota.

Ataques

Dois foguetes foram disparados da Faixa de Gaza, um enclave palestino dirigido pelo movimento islâmico Hamas, informou o Exército israelense à Agência France Press. O disparo dos projéteis coincidiu com a assinatura dos acordos.

Segundo o exército, um dos projéteis foi interceptado pelo sistema de defesa israelense. O segundo caiu na cidade de Ashdod, situada entre Gaza e a cidade israelense de Tel Aviv, deixando alguns feridos levemente.

Nenhum movimento armado palestino reivindicou esses disparos até o momento. Normalmente, o exército israelense responde a estes lançamentos de foguetes com bombardeios de posições no Hamas.

O movimento islâmico e Israel respeitam uma trégua frágil há um ano e meio, que muitas vezes é quebrada por lançamentos de foguetes e de balões incendiários da Faixa de Gaza e por bombardeios israelenses./ AFP

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