Palestinos protestam contra muro de segurança em Belém

A família do prefeito de Belém, Hanna Nasser, residiu na principal avenida da cidade, numa ampla casa de dois andares com graciosas janelas em arcos, durante aproximadamente um século. Mas o bairro será separado do restante da cidade palestina, se Israel seguir em frente com seus planos de construir um controvertido muro de concreto de três quilômetros de extensão para proteger as peregrinações judaicas à Tumba de Raquel, local onde, segundo a tradição, está enterrada a matriarca bíblica do judaísmo.Israel alega que o muro é uma medida de segurança, necessária porque os palestinos não teriam conseguido proteger o local sagrado de forma adequada."Nós garantiremos acesso livre a um dos locais mais sagrados do judaísmo. Por isso contruíremos o muro", comentou Raanan Gissin, um conselheiro do conservador primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon.Os palestinos denunciam a medida como mais uma tentativa israelense de afastá-los das terras onde pretendem fundar seu Estado independente e soberano. "Esta é a entrada para a cidade onde nasceu Jesus Cristo", lembra Nasser. "Esses muros nunca ajudarão bons vizinhos. É um projeto insano", afirma.O coronel israelense Jamal Salman visitou o bairro na manhã de hoje e garantiu aos moradores palestinos que suas casas e seus negócios não seriam danificados.Porém, após a construção do muro, os moradores precisarão de permissão para atravessar os postos de checagem do Exército israelense para chegar ao outro lado de Belém.Nasser comunicou ao comandante militar que Israel está violando acordos de paz existentes, que permitem aos palestinos acesso livre ao local. "Protestamos contra a decisão do Exército israelense de isolar esta parte de Belém", disse Nasser a Salman.O principal trecho do muro descerá pelo meio da Rua Yasser Arafat até chegar à Tumba de Raquel, aproximadamente 500 metros dentro da Cisjordânia, tomando como referência a atual fronteira com Israel, definida por um posto de checagem militar.Em algumas áreas, o muro terá 10 metros de altura e fechará totalmente a zona norte de Belém, próxima ao extremo sul de Jerusalém. A ordem israelense de confisco das terras é válida até 2005, mas pode ser estendida.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.