Palestinos protestam contra Obama

Discurso de americano na ONU é considerado 'decepcionante'; refugiados do campo de Calândia prometem iniciar hoje 'nova intifada'

GUILHERME RUSSO, ENVIADO ESPECIAL, RAMALLAH, CISJORDÂNIA, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2011 | 03h02

Manifestantes palestinos voltaram ontem a tomar as ruas de Ramallah, na Cisjordânia. No entanto, em vez de expressar seu apoio ao pedido de reconhecimento do Estado palestino que será feito hoje pelo presidente Mahmoud Abbas na Assembleia-Geral das Nações Unidas, o protesto foi contra o discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Ostentando faixas que acusavam o líder americano de estar do lado de "assassinos", algumas centenas de palestinos reuniram-se diante da sede da Autoridade Palestina (AP). Obama também foi chamado de "hipócrita", por dizer na ONU que os palestinos deveriam buscar negociações com Israel para chegar à criação de seu Estado, não adotar medidas unilaterais. Os cartazes pediam ainda o fim da ocupação israelense dos territórios palestinos.

Vários funcionários da Autoridade Palestina, além de estudantes e mulheres, participaram da manifestação. "(O discurso de Obama) foi totalmente decepcionante. Não apenas para nós (palestinos) como para muita gente no mundo. Foi repleto de dois pesos e duas medidas", afirmou Mustafá Barghouti, ativista que já concorreu à presidência palestina em 2005.

Enquanto isso, não muito distante dali, no cruzamento Dawar Al-Sa'a, próximo à Praça Al-Manara, funcionários da AP acabavam de instalar a iluminação e o sistema de som no palco que foi montado no local para celebrar o discurso de Abbas. "Vai ter festa aqui amanhã (hoje). É uma honra trabalhar aqui", afirmou o técnico de luz Tarek Hamda, de 27 anos. A comemoração está marcada para as 18 horas locais (14 horas em Brasília).

Mas refugiados do campo de Calândia, a principal porta de entrada para Ramallah, afirmaram ao Estado que hoje "começa uma nova intifada". Eles prometeram voltar a atacar as autoridades israelenses no bloqueio militar que isola a região do restante dos territórios ocupados por Israel desde 1967. De acordo com os refugiados palestinos, o confronto deverá começar após as orações do meio-dia, "ou até antes".

"O povo aqui está dividido. Metade concorda com Abu Mazin (como Abbas é conhecido) e metade não... Não ponho muita esperança (na manobra diplomática da AP para obter reconhecimento do Estado palestino na ONU), mas espero que funcione", afirmou a estudante de comunicações Hindz Zahran, de 20 anos. / COM REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.